A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) anunciou esta segunda-feira estar desde sábado a prestar cuidados às pessoas em fuga do nordeste sírio num centro no Iraque junto à fronteira com a Síria e num campo no Curdistão iraquiano.

“Imediatamente após o início dos combates no nordeste da Síria, avaliámos rapidamente diferentes locais, incluindo locais de receção na fronteira Iraque-Síria e campos onde soubemos que os refugiados seriam recebidos”, disse Marius Martinelli, gestor de projetos dos MSF, citado num comunicado da organização.

A Turquia lançou no dia 9 de outubro uma ofensiva no nordeste sírio contra a milícia curda das Unidades de Proteção Popular (YPG), considerada terrorista por Ancara e aliada dos ocidentais no combate aos ‘jihadistas’ do grupo Estado Islâmico.

A ONU calcula que cerca de 166.000 pessoas fugiram das suas casas desde o início da operação militar turca, milhares das quais se refugiaram no vizinho Iraque, enquanto o Observatório Sírio dos Direitos Humanos estima que a ofensiva provocou 300.000 deslocados em oito dias. As equipas dos MSF são responsáveis por duas clínicas móveis que prestam cuidados de saúde, uma das quais no campo de Bardarash. Segundo Martinelli, até agora foram assistidos refugiados sem problemas graves, decorrentes sobretudo de longas caminhadas a pé, como “problemas de pele, infeções respiratórias, diarreia e dores generalizadas”. “A maioria das pessoas examinadas pela nossa equipa de saúde mental no primeiro dia apresentou sinais de depressão e ansiedade”, adiantou.

A organização médica humanitária assinala que a história do campo de Bardarash é indicativa das várias ondas de deslocamentos na região: aberto em 2014 para os que fugiam do Estado Islâmico quando este ocupou a cidade de Mossul, o campo foi encerrado em 2018 depois dos seus residentes terem regressado à relativamente calma Mossul, para reabrir a semana passada agora para acolher refugiados vindos da Síria.

A MSF indica que “mais de 5.300 pessoas atravessaram a fronteira da Síria para o Iraque” desde o início da guerra em 2011 e que nos últimos seis dias têm chegado ao lado iraquiano mais de 500 pessoas por dia, “a maioria de Ras al-Ayn e de Qamishli”.