O ministro da Agricultura em Ambiente de Cabo Verde, Gilberto Silva, disse esta segunda-feira que a praga de gafanhotos está “praticamente controlada”, garantindo que as autoridades do país vão continuar a monitorização e controlo da reprodução.

O gafanhoto está a ser praticamente controlado, mas como eu digo, mais uma vez, se há casa dos gafanhotos é o Sahel e, portanto, vamos continuar sempre com os esforços no sentido de monitorizar a praga, controlarmos todo o ciclo de reprodução”, disse o ministro aos jornalistas, à margem de um ‘workshop’ regional sobre a gestão sustentável da praga da lagarta-do-cartucho do milho, realizada na cidade da Praia.

Gilberto Silva sublinhou que não é só Cabo Verde que tem tido episódios de surgimento massivo de gafanhotos, mas garantiu que o país vai “fazer tudo” para que situações dessa natureza não se verifiquem, e se verificarem, “dar combate de imediato”.

“Da mesma forma em relação à lagarta-do-cartucho do milho, estamos bastante engajados na procura de soluções de luta biológica. Ou seja, também estamos engajados na construção de uma biofábrica para produção do inimigo natural dos gafanhotos, para ver se nós reduzimos a probabilidade da sua multiplicação em massa e afetar as nossas culturas”, prosseguiu o ministro.

Depois de três anos consecutivos de seca, voltou a chover este ano em Cabo Verde e uma praga de gafanhotos, a maior dos últimos 50 anos, começou a afetar as terras áridas e semiáridas das ilhas de Santiago, Brava, São Nicolau e São Vicente.

O combate está a ser feito com produtos químicos, mas as autoridades vão construir uma fábrica para, a partir do próximo ano, começar a produzir um produto para o combate biológico. O diretor-geral da Agricultura cabo-verdiano, José Teixeira, explicou há um mês que a “explosão fora do normal” de gafanhotos em Cabo Verde deu-se por causa da humidade provocada pelas chuvas de setembro e da alta temperatura, o que favoreceu a eclosão dos ovos.

Em meados de setembro, o Governo de Cabo Verde anunciou que a praga era uma situação de emergência e reforçou a campanha de combate com militares. Ao contrário do que acontece com os mosquitos, os gafanhotos, que têm um ciclo de vida de 24 dias, não transmitem qualquer doença ao homem.

“Enquanto tivermos comida, vamos ter gafanhotos. É por isso que o Ministério da Agricultura reforça o máximo possível o pessoal de terreno para, num curto intervalo de tempo, poder diminuir a população e repor o equilíbrio”, previu José Teixeira na altura. O diretor-geral disse que o país vai ter até cerca de quatro milhões de escudos cabo-verdianos (963 mil euros) de custos operacionais para o combate aos gafanhotos.