Um, dois, três, quatro, cinco… seis. Depois de ter falhado o arranque oficial da temporada devido a um problema muscular (e têm sido muitos na equipa esta época), Eden Hazard teve uma estreia prometedora em casa frente ao Levante como suplente utilizado, não conseguiu dar a continuidade esperada nos encontros seguintes e quebrou finalmente a barreira do primeiro golo num encontro diante do Granada em que o português Rui Silva até foi o MVP. A seguir à paragem para as seleções, o belga foi pai pela quarta vez e falhou a deslocação do Real Madrid a Maiorca, que terminou com uma derrota e a perda da liderança da Liga. Mas foi de Hazard que se falou.

Zinedine Zidane, que começa a ser colocado em causa pelo início de época intermitente, sempre se revelou um defensor da contratação mais cara dos merengues para esta temporada, mesmo admitindo que se tratava de um jogador que andava ainda meio adormecido pela fase de adaptação a uma nova realidade depois de sete anos em Londres ao serviço do Chelsea. Hazard era esta terça-feira descrito pelo El Confidencial como alguém “tranquilo, discreto e familiar” a quem basta ver bem a mulher para estar também feliz. É tudo uma questão de química, a mesma que ainda procura num Real Madrid a tentar sobreviver ao complicado período pós-Ronaldo.

A distância entre Londres e Madrid pode ser grande mas a distância entre a realidade do Chelsea e do Real parece ser ainda maior. O médio ofensivo já terá mesmo comentado no balneário que, pressão e necessidade de ganhar à parte, há menos espaços e marcações mais apertadas em Espanha do que em Inglaterra. Hoje, Hazard luta ainda para conseguir fazer o último e decisivo passe mais vezes quando Zidane está numa fase onde precisa dos seus golos. E foi isso que aconteceu de novo na visita dos espanhóis à Turquia para defrontar o Galatasaray.

Num encontro que era vital para acalmar as hostes merengues e manter a equipa com todas as hipóteses de chegar aos oitavos da Champions dependendo apenas de si, Hazard destacou-se pela positiva na primeira parte por ter feito a assistência para o único golo do encontro de Kroos e foi também destaque pela negativa no segundo tempo quando surgiu completamente isolado na área, fintou Muslera mas, de baliza aberta, conseguiu acertar na trave. Além do belga, Rodrygo foi uma surpresa positiva no Real, que contou com a melhor versão de Courtois para terminar a partida sem sofrer golos e com um caudal ofensivo que o resultado final não demonstrou.

Com o triunfo, o Real Madrid saltou para o segundo lugar do grupo com mais dois pontos do que o Club Brugge e mais três do que o Galatasaray, dependendo de pelo menos uma escorregadela do PSG (que goleou esta noite a formação belga por 5-0) para alcançar ainda o primeiro posto nas três últimas jornadas. No entanto, tão ou mais relevante, Zidane ganhou e esvaziou a onda de críticas que se tinham ouvido depois do desaire com o Maiorca, algumas pedindo mesmo a saída do francês, abrandando as notícias na imprensa espanhola que davam conta de outro possível regresso ao Santiago Bernabéu se a atual realidade se mantivesse: José Mourinho.