As forças curdas da Síria “cumpriram” totalmente as condições do acordo de trégua negociado entre a Turquia e os Estados Unidos no norte da Síria, garantiu um dirigente curdo, a poucas horas do termo do acordo.

“Estamos plenamente em consonância com os termos do cessar-fogo (…) e retirámos todos os nossos combatentes e forças de segurança da zona de operações militares desde Ras al-Ayn a Tal Abyad”, declarou Redur Khalil, um dos comandantes das Forças Democráticas Sírias (FDS, dominadas pelos combatentes curdos), citado pela agência noticiosa AFP “Também definimos as linhas de demarcação entre nós e os turcos, a leste de Ras al-Ayn e a oeste de Tal Abyad”, acrescentou Khalil.

Ancara desencadeou a 9 de outubro uma ofensiva contra os combatentes curdos sírios, durante um longo período aliados do ocidente na luta contra o grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico (EI). A Turquia, que exige uma “zona de segurança” na sua fronteira, define como “terroristas” as Unidades de Proteção Popular (YPG), o principal grupo das FDS.

No entanto, suspendeu a sua ofensiva na quinta-feira na sequência da frágil trégua negociada entre turcos e norte-americanos. Esta pausa expira esta terça-feira às 20h (hora de Lisboa), e Ancara já advertiu que recomeçará as operações militares caso as YPG permaneçam na “zona de segurança”.

Segundo um responsável norte-americano que se exprimiu sob anonimato, o comandante em chefe das FDS, Mazloum Abdi, indicou numa carta ao vice-presidente dos EUA Mike Pence que retirou “todas as forças das YPG” desta zona. A ofensiva turca foi possível devido à retirada militar dos Estados Unidos do norte e leste da Síria, uma decisão surpresa do chefe da Casa Branca, Donald Trump, e muito criticada, ao ser acusado de abandonado os seus aliados.

A ofensiva de Ancara abriu uma nova frente no conflito sírio que de prolonga desde 2011 e já provocou 370.000 mortos. A Turquia revelou na segunda-feira que vai instalar uma “zona de segurança” de 120 quilómetros de comprimento no nordeste da Síria após a retirada das forças curdas. O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, não deixou de exigir uma zona de 444 quilómetros de comprimento e 30 quilómetros de profundidade em território sírio e ao longo da fronteira comum, mas a primeira fase deste projeto apenas deverá abranger cerca de um quarto dessa distância.

O plano inicial de Ancara terá sido contrariado em certos setores devido ao envio de tropas do exército sírio, na sequência de um apelo dos curdos. A formação de uma zona limitada de 120 quilómetros “numa primeira fase” deverá iniciar-se no início da noite de terça-feira.