Há crédito a ser concedido “muitas vezes” às famílias sem ter em conta a taxa de esforço dos consumidores.

Quem o diz é a coordenadora do gabinete de proteção financeira da DECO, Natália Nunes, na sequência de dados divulgados ontem pelo Banco de Portugal, que mostram que o endividamento dos particulares subiu para os 140 mil milhões de euros em agosto deste ano – é o valor mais alto dos últimos 3 anos.

Natália Nunes, considera que o aumento do valor do endividamento das famílias não era esperado dado a diminuição da taxa de desemprego e avança que ao contrário do esperado, os pedidos de ajuda feitos à organização não têm diminuído.

De acordo com a coordenadora do gabinete de proteção financeira: “É verdade que as famílias têm mais rendimento disponível, mas também é verdade que estão a recorrer mais ao crédito. E algum desse crédito, como o crédito pessoal e os cartões de crédito, está a ser concedido sem ter em conta a taxa de esforço dos consumidores. Aquilo que estamos a verificar é que muito do crédito que nos chega para renegociar foi contratado recentemente e as famílias já não têm condições financeiras para suportar.”

A DECO presta apoio aos consumidores nos pedidos de reestruturação de créditos e ajuda as famílias a organizar o orçamento familiar.