A porta-voz do Governo espanhol em funções descartou esta terça-feira a realização de um encontro entre o presidente do executivo espanhol, Pedro Sánchez, e o líder regional catalão, Quim Torra, antes das eleições gerais espanholas de 10 de novembro.

“Antes das eleições não há ambiente” para um encontro entre Sánchez e Torra, afirmou Isabel Celaá, em declarações à comunicação social na cidade espanhola de Saragoça.

O presidente do governo regional da Catalunha (Generalitat), Quim Torra, voltou na terça-feira a insistir num “diálogo sem condições” com Pedro Sánchez para resolver a situação de crise naquela comunidade autónoma espanhola, que testemunhou na última semana protestos violentos e grandes manifestações independentistas.

Torra lamentou um “silêncio clamoroso” por parte de Madrid e acusou igualmente Sánchez de não ter respondido a nenhuma das suas chamadas telefónicas.

Pedro Sánchez aproveitaria uma ação eleitoral em Huelva para responder diretamente a Quim Torra. “Se quer falar, que o faça primeiro com os catalães, sobretudo com aqueles que não pensam como ele”, reagiu esta terça-feira à tarde o também líder dos socialistas espanhóis (PSOE).

“Neste caso, a ordem dos fatores altera o resultado. Primeiro a lei e depois o diálogo, primeiro o Estatuto da Catalunha e depois o diálogo”, referiu Sánchez, insistindo que o presidente da Generalitat deveria fazer “apelos à coexistência, à rejeição da violência e à solidariedade para com as forças e os órgãos de segurança do Estado”. Uma ideia que Isabel Celaá também abordou em Saragoça, insistindo que deveria ser Quim Torra a “impulsionar o diálogo” entre as várias fações que existem atualmente na Catalunha.

Ainda em Saragoça, Isabel Celaá defendeu que o Estado espanhol tem respondido à situação vivida na Catalunha com “serenidade, firmeza e proporcionalidade”, apesar de ser “incitado diariamente” a aplicar “algumas medidas” que apenas iriam piorar o atual cenário. Tais medidas, segundo criticou a também ministra da Educação espanhola em funções, são provenientes “das [forças políticas] direitas” espanholas e são “mais eleitoralistas do que aplicáveis”.

As eleições gerais de 10 de novembro serão as quartas eleições em quatro anos em Espanha e surgem após o PSOE ter falhado um acordo político para encontrar uma solução governativa.

O ministro do Interior em funções, Fernando Grande-Marlaska, foi outra das vozes do executivo central espanhol que veio no mesmo dia publicamente reforçar a ideia de que o diálogo deve começar por ser interno, ou seja, dentro da comunidade catalã.

Fernando Grande-Marlaska assegurou que o Governo espanhol tem assumido que a situação da Catalunha é complexa. “Com uma convivência deteriorada durante vários anos não se regressa à normalidade da noite para o dia”, afirmou o ministro do Interior, defendendo que a atual situação precisa “de muita política e de muito diálogo entre toda a sociedade catalã”, com as distintas ideologias e as diferentes maneiras de ver o papel da Catalunha na Espanha.

A Catalunha tem “um problema real de convivência” e é preciso começar a reconstruí-la, insistiu Fernando Grande-Marlaska, afirmando que esta é a ideia defendida por Pedro Sánchez.

O Supremo Tribunal espanhol condenou, a 14 de outubro, os principais dirigentes políticos envolvidos na tentativa de independência da Catalunha a penas que vão até um máximo de 13 anos de prisão. A sentença motivou protestos independentistas, que começaram no próprio dia do anúncio do Supremo e se repetiram ao longo de vários dias em Barcelona e em outras cidades da região autónoma.

A par de várias manifestações pacíficas, a vaga de contestação ficaria igualmente marcada por distúrbios e violentos confrontos entre manifestantes mais radicais e as forças de segurança. Os protestos na Catalunha ficaram igualmente marcados por cerca de duzentas detenções e quase 300 agentes das forças de segurança feridos.