Desde janeiro, hackers já sequestraram sistemas informáticos de mais de 30 organismos públicos, noticia o Jornal de Notícias esta terça-feira. Os “piratas informáticos” atacaram câmaras municipais, juntas de freguesia e até agrupamentos de escolas, para exigir um resgate.

O fenómeno, que afetava sobretudo o setor empresarial, tem vindo a alastrar-se para os organismos públicos. É o chamado “ransomware“, das palavras ransom — que em português significa resgate — e software. Os hackers, que operam normalmente a partir do estrangeiro, usam software nocivo para sequestrarem sistemas e ficheiros, exigindo um resgate, muitas vezes em bitcoin (moeda virtual), para acabar com o ataque.

Segundo o JN, geralmente, os atacantes lançam sob a forma de e-mail o “vírus”, permitindo que este chegue aos computadores dos funcionários do organismo sob ataque, que depois abrem o e-mail sem darem conta da ameaça.

Esta operação é o suficiente para o hacker ter acesso a todos os dados contemplados na rede informática da organização. Após apoderar-se dos ficheiros, “manda uma mensagem à vítima, exigindo dinheiro para enviar a chave que permite desencriptar (libertar) os dados”, explica o JN.

O último caso de que se tem conhecimento é o da Câmara Municipal de Vinhais, que está há uma semana a tentar recuperar o seu sistema informático.

O Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS) adiantou ao JN que, desde o início do ano, foram registados 21 casos de “ransomware“, incluindo o de Vinhais. Estes números “espelham os incidentes reportados ao CNCS ou de que o CNCS teve conhecimento, e não o panorama geral ao nível nacional”, explicou a autoridade especialista em cibersegurança.

Já a Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e à Criminalidade Tecnológica (UNC3T) fala em mais de 30 casos sob investigação, entre eles Vinhais.

Apesar de já ter recuperado os ficheiros danificados, o controlo do sistema informático da autarquia transmontana ainda não foi reposto. O sequestro informático detetado na manhã de terça-feira passada obrigou a autarquia a despender cerca de seis mil euros. Os atacantes pediam um resgate bem mais elevado, entre 20 e 30 mil euros.