Uma equipa de investigadores desenvolveu, em parceria com a indústria, um “sistema tecnológico inovador de cogeração de energia a partir de biomassa”, anunciou esta quarta-feira a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).

O novo sistema destina-se a “clientes com grandes consumos de energia térmica e elétrica, nos setores dos serviços, pequena e média indústria, e agropecuário”, afirma a FCTUC, numa nota enviada esta quarta-feira à agência Lusa.

A cogeração de energia consiste na produção simultânea de duas formas de energia – neste caso, térmica e elétrica – queimando um único combustível, fóssil ou não, e caracteriza-se por ser uma forma mais económica, eficiente e sustentável do que os métodos tradicionais de geração independente.

Criada no âmbito de projetos desenvolvidos nos últimos anos por cientistas da FCTUC com a SCIVEN, a tecnologia “materializa-se num equipamento modular acoplado a uma caldeira para produção de água quente, preferencial, mas não necessariamente alimentada a biomassa”.

O novo sistema, explica a FCTUC, converte-se assim numa minicentral de produção de energia elétrica local, “mais eficiente e sustentável em comparação com as grandes centrais”, sempre que o seu utilizador necessita de energia térmica.

A partir de uma caldeira a biomassa, desenvolvemos um conjunto de tecnologia capaz de produzir energia elétrica para autoconsumo enquanto se aquece água ou espaços”, explicam os coordenadores do projeto, José Baranda Ribeiro, Jorge André e Ricardo Mendes, do Departamento de Engenharia Mecânica da FCTUC, e Eduardo Costa, da empresa SCIVEN.

“Optámos por integrar no sistema piloto uma caldeira a biomassa, neste caso pellets [granulado proveniente de desperdícios de madeira, produzidos de forma sustentável], porque estes são uma fonte de energia renovável, limpa, fiável e de qualidade certificada, para além de economicamente muito competitiva”, acrescentam.

Atualmente, sublinha a FCTUC, as caldeiras mais usadas, por exemplo, em hotéis, hospitais, universidades ou aeroportos são a gás (natural ou propano) ou a gasóleo, combustíveis muito mais caros do que os pellets entregues no local. A sua substituição por este sistema integrado “será altamente vantajosa para indústrias e serviços que necessitem simultaneamente de calor e eletricidade, quer do ponto de vista económico quer ambiental”, sustentam, citados pela FCTUC, os coordenadores do projeto.

Além de “reduzir significativamente os custos de energia”, esta solução “está também alinhada com as metas de descarbonização dos processos e da economia, com um potencial de redução das emissões de CO2 na ordem das centenas de toneladas por ano”, afirmam.

A implementação em larga escala deste tipo de sistemas em Portugal “não só permite diminuir a importação de combustíveis fósseis, contribuindo para uma política energética sustentável, como contribui para criar novas cadeias de valor”, sustentam os promotores do projeto que, por exemplo – salientam – “incentiva uma melhor gestão florestal”.

Para os cientistas da FCTUC, a grande inovação deste projeto “é provar a viabilidade da minicogeração de energia, isto é, a cogeração de energia em pequena escala, dado que a cogeração para grandes potências já é praticada há muitos anos”. O objetivo é “criar valor económico através de um sistema integrado de cogeração de calor e eletricidade incorporando uma caldeira a biomassa”.

Este sistema, cuja tecnologia o consórcio vai continuar a desenvolver com vista ao alargamento do seu mercado, foi criado no âmbito de um projeto financiado pelo programa PT2020 e pela Agência Nacional de Inovação.