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Cerca de duas dúzias de republicanos invadiram esta quarta-feira uma sessão de inquérito à porta fechada do Comité de Informações da Câmara dos Representantes relacionada com o impeachment (destituição) de Donald Trump, à qual apenas um grupo restrito pode ter acesso. Enquanto tentavam chegar à sala onde a secretária de Defesa adjunta da Rússia, Ucrânia e Eurásia, Laura Cooper, estava prestes a testemunhar, os republicanos gritavam: “Deixem-nos entrar!”. Entretanto, por volta das 23h30 (hora de Portugal) desta quarta-feira foram retomados os trabalhos e Cooper começou o seu depoimento.

De acordo com o The New York Times, os republicanos em questão não faziam parte da comissão que está a conduzir estes inquéritos e, por isso, não podiam assistir às audiências. A tentativa de entrarem na sala, revelam, foi um ato de protesto contra o facto de todo o processo estar ser conduzido à porta fechada. Este inquérito, recorde-se, está relacionado com um possível processo de impeachment de Donald Trump, devido ao escândalo ligado a alegadas pressões do Presidente norte-americano junto da Ucrânia.

O republicano Matt Gaetz, citado pela CNN, desafiou Adam Schiff, diretor do Comité de Informações da Câmara dos Representantes, a suspender os procedimentos. “Vamos tentar entrar ali dentro e descobrir o que se passa, em nome de milhões de americanos que representamos e que querem ver este Congresso a trabalhar para eles e não obcecados com atacar o Presidente, que nós acreditamos que não fez nada para merecer o impeachment”, referiu ainda.

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A cena desenrolou-se quando o painel estava a preparar-se para ouvir Laura Cooper. O NYT explica que estas reuniões à porta fechada são prática comum, especialmente durante as fases iniciais do processo. “Chegou finalmente a um ponto em que os membros do Senado dizem estar muito frustrados com a ideia de não poderem fazer parte disto e ver o que está a acontecer”, sublinhou o republicano Jim Jordan.

Esta segunda-feira, recorde-se, Donald Trump abordou a forma como o inquérito está a ser feito e comparou-o a um “linchamento”. “Se algum dia um democrata se tornar Presidente e os republicanos ganharem a Câmara dos Representantes, mesmo que seja por uma margem mínima, eles podem destituir o Presidente sem o processo correto ou justo ou sem qualquer direito legal. Todos os republicanos devem lembrar-se do que estão a assistir aqui – um linchamento. Mas vamos ganhar”, escreveu o Presidente dos Estados Unidos através do Twitter.

Apesar de a sua entrada ter sido barrada, os republicanos parecem não pretender desistir tão cedo do protesto e trouxeram snacks e pizzas para a área do Comité.