A última final da Taça dos Libertadores, entre Boca Juniors e River Plate, tornou-se uma das mais estranhas de sempre da competição – e, de longe, a mais longa de todas. Porque houve um temporal inesperado que adiou o dia da primeira mão, porque houve o ataque ao autocarro dos xeneizes no segundo jogo, porque se seguiu uma longa espera para se perceber onde e quando se poderia realizar a decisão. No meio de tantas novelas e acontecimentos, lá iam sobrando histórias de quem muda uma vida inteira por 90 minutos e, neste caso, acaba por fazer todas essas alterações para nada. 18.000 quilómetros e 33 horas depois, Isamu Kato é um exemplo paradigmático disso mesmo. E voltou a ser protagonista nesta segunda mão das meias-finais da Taça dos Libertadores.

Depois de ter visto a vitória do Boca Juniors frente ao Real Madrid em Tóquio, na final da Taça Intercontinental, o japonês hoje com 32 anos tornou-se um fervoroso adepto da formação argentina ao ver cerca de 10.000 xeneizes a cantar sem parar ao longo dos 90 minutos. Como contava o Clarín, foi uma verdadeira história de amor à primeira vista e Isumu, que não sabia nada nem do Boca Juniors nem da Argentina, passou a seguir a equipa sempre que podia com um total de 13 viagens à Argentina (antes tinha visto o Mundial de Clubes, em 2007) e a presença em quatro jogos. No quinto, esteve e não esteve. E era esse encontros que tinha ainda atravessado.

Devido ao temporal que se abateu em Buenos Aires na primeira mão da final da Libertadores do ano passado, o nipónico viajou para a Argentina, estava pronto para entrar na Bombonera mas, com o adiamento do jogo em 24 horas, teve de regressar ao Japão por não ter conseguido alterado as viagens e nem o facto de ter estado em agosto na Tailândia a apoiar a equipa de futsal no Mundial de Clubes (e era o único adepto do Boca presente…) lhe tirou esse amargo de boca. Agora, pagou 2.000 dólares por mais um dia e meio de viagens, tendo bilhete para uma zona próxima da claque que por si só já funcionava como vitória. Faltava o resto, que não aconteceu mesmo.

Do Japão ou de muitos outros países, Isamu Kato é um dos vários exemplos de adeptos que ainda vivem de forma diferente a loucura que é um dérbi entre Boca Juniors e River Plate. Um jogo apaixonante, com alguns excessos à mistura, do mais puro que o futebol pode ter. Um jogo que, neste caso, começou com 15 minutos de atraso para que vários funcionários do clube pudessem entrar na Bombonera para retirar milhares e milhares de papéis que tinham caído no relvado. Um jogo que, com maiores ou menos motivos de interesse, está sempre ligado à corrente e que terminou de forma emocionante mas sem que os visitados conseguissem dar a volta à eliminatória: os xeneizes vennceram por 1-0 com golo de Hurtado mas foram os millonarios a fazerem a festa da qualificação.

Os visitados tiveram uma entrada mais forte, com Ábila a ter um desvio perigoso ao segundo poste, mas a equipa de Gallardo conseguiu ir equilibrando uma primeira parte que teve no golo anulado ao ex-benfiquista Salvio um dos seus pontos altos (antes do remate do ala, houve um desvio com a mão na área). O intervalo chegou com esse encontro repartido, a segunda parte mudou algumas dessas características: o River Plate, que teve sempre uma postura mais de contenção à procura das saídas em velocidade, ainda teve algumas abertas em que falhou no último passe, o Boca Juniors conseguiu marcar num lance confuso após livre lateral que Armani não conseguiu desviar (80′) mas esse momento acabou por ser insuficiente para evitar a festa do River Plate.