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Se existe equipa que se poderia queixar da densidade competitiva era o Liverpool – depois da Supertaça Europeia e da Supertaça de Inglaterra, e além dos 38 encontros da Premier League, já se sabe que se for longe na Champions, na Taça de Inglaterra e na Taça da Liga projeta pelo menos uns 60 jogos oficiais numa só temporada. No entanto, e além de não falar nesse aspeto, o conjunto comandado por Jürgen Klopp tem um outro ponto curioso: como as alterações são pontuais, parece que jogam sempre os mesmos. Esta noite, em Genk, não foi bem assim.

Além da presença de Milner como lateral direito e o regresso de Lovren às opções ao lado de Van Dijk, o técnico alemão projetou um onze de cariz mais ofensivo do que é habitual, colocando perto de Fabinho dois criativos que tão depressa jogam no centro como podem avançar para posições de ataque (ocupado como é habitual por Salah, Sadio Mané e Firmino): Oxlade-Chamberlain e Naby Keita. E foram estes dois elementos que mais se destacaram na goleada do campeão europeu na Bélgica, que assinalou uma marca redonda para o Liverpool.

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Começando pelo guineense contratado na última temporada ao RB Leipzig, foi globalmente o melhor num campo que foi seu do primeiro ao último minuto: além de ter sido o jogador com mais passes tentados e conseguidos (118), acrescentou ainda outros dados estatísticos como líder nos dribles (três), nos tackles (quatro) e nas recuperações de bola (12). Mas não se ficou por aí porque, além de ter sido o primeiro elemento a ter mais de 100 passes num jogo fora esta temporada na Champions, tocou quase 140 vezes na bola e teve-a em posse cerca de 11,2%.

Depois, o internacional inglês, que viria a revelar na zona de entrevistas rápidas que a final de Madrid acabou por ser uma inspiração para voltar aos bons velhos tempos. Oxlade-Chamberlain, marcado nas duas últimas épocas por lesões graves que o afastaram durante largos meses dos relvados, teve uma noite de sonho com o Genk que começou logo aos dois minutos, quando inaugurou o marcador e quebrou um jejum de 18 meses sem qualquer golo. O melhor ainda estava para vir: ainda dentro do primeiro quarto de hora da segunda parte (57′), o médio ofensivo arriscou de fora da área um pontapé de trivela “à Quaresma” para marcar o golo da noite, que marcou também aquele que foi o golo 200 na Liga dos Campeões do Liverpool – quarta equipa inglesa a conseguir.

Os inevitáveis Sadio Mané (77′) e Salah (87′) elevaram a goleada para 4-0 nos instantes finais, com os visitados a conseguirem ainda reduzir a desvantagem a dois minutos do final por Odey num triunfo que colocou os campeões europeus no segundo lugar do grupo E com seis pontos, a um do Nápoles (que venceu esta noite o Salzburgo por 3-2 num dos encontros com mais golos também da noite europeia) e com mais três do que os austríacos.