Qualquer resumo, feito daqui a alguns meses, àquilo que foi a temporada do FC Porto terá de incluir, isolar e destacar a eliminação no playoff da Liga dos Campeões com o Krasnodar. A queda com os russos, em agosto no Dragão, marcou um antes e um depois naquilo que foi, é e será a época dos dragões: e abriu caminho a uma série de oito vitórias consecutivas para todas as competições que só terminou na Holanda com o Feyenoord. A traumática derrota com o Krasnodar, que afastou o FC Porto da competição europeia “onde devia estar”, nas palavras de Sérgio Conceição, obrigou a equipa a uma remontada inevitável em toda a linha que tinha como objetivo compensar com as outras competições o desaire milionário.

Luis Díaz não chegou para o feng shui do castelo escocês que Gerrard construiu (a crónica do FC Porto-Rangers)

Desaire esse que atirou o FC Porto para a Liga Europa. Liga Europa que, novamente nas palavras de Sérgio Conceição, é uma competição que o FC Porto tem condições de vencer. A ideia, na cabeça do treinador, seria mascarar com uma conquista europeia a eliminação embrionária na Liga dos Campeões: mas as coisas não estão a correr da melhor forma. Em três jogos da fase de grupos, os dragões venceram o Young Boys em casa, perderam com o Feyenoord na Holanda e esta quinta-feira empataram com o Rangers no Dragão. Contas feitas, e na soma das partidas da Champions e da Liga Europa, foram mais os encontros que o FC Porto não venceu do que aqueles que ganhou (em cinco, perdeu dois e empatou um).

Com o empate desta quinta-feira contra o Rangers de Steven Gerrard, os dragões colocaram em risco a passagem à próxima fase da Liga Europa — isto porque ainda têm de ir à Suíça visitar o Young Boys, que é líder do grupo, e à Escócia — e perderam uma boa oportunidade de somar mais três pontos contra uma equipa que é inequivocamente inferior e que conquistou um empate graças a uma louvável organização defensiva. No final do jogo, Sérgio Conceição reconheceu que a equipa cometeu “alguns erros individuais” e permitiu “que o adversário criasse uma ou outra situação”. “Sabíamos que o adversário era combativo, que ia ser um jogo difícil, mas queríamos vencer. Começámos a vencer, mas sofremos numa situação para a qual estávamos precavidos. Na segunda parte não entrámos como queríamos, tivemos pouca posse e não fomos suficientemente rápidos na troca de bola. Criámos situações suficientes para vencer. Não fizemos um jogo fantástico mas sabíamos que, contra estas equipas, a qualidade de jogo perde um bocado”, acrescentou o treinador, que explicou ainda que não fala “de camas nem de lençóis” quando foi questionado sobre se a estratégia para a partida foi um lençol mais curto do que a cama.

Este fim de semana, o FC Porto recebe o Famalicão que é líder da Primeira Liga e pode chegar ao primeiro lugar da classificação. Para isso, terá de fazer mais do que fez esta quinta-feira com o Rangers e muito mais do que fez na Holanda com o Feyenoord. O ideal, para Sérgio Conceição, seria utilizar dois jogos sem vencer na Liga Europa como utilizou a eliminação com a Liga dos Campeões: enquanto catalisador e memória sempre presente para evitar que se repita.