O Tribunal Judicial de Nampula, maior cidade do Norte de Moçambique, condenou duas pessoas a nove meses de prisão, na quarta-feira, por tentativa de enchimento de urnas durante as eleições de dia 15.

Os réus, que estiveram ausentes da sessão, foram encontrados a tentar introduzir boletins de voto falsos nas urnas da Escola Primária Completa 7 de Abril, na cidade de Nampula.

“Um dos réus foi surpreendido na cabine de votação com um total de sete boletins de voto a favor de um candidato que não foi especificado”, disse o juiz, citado hoje pelo jornal O País.

Para o tribunal, ficou provado que se tratou de um crime eleitoral, com o objetivo de manipular os resultados, posição de que a defesa discorda, pelo que apresentou recurso. A sentença obriga ainda ao pagamento de multas equivalentes a quatro meses de salário mínimo nacional, num total de pouco mais de 14 mil meticais (209 euros).

A queixa-crime foi apresentada pela Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), maior partido da oposição, que considerou que a sentença prova que as eleições gerais foram fraudulentas. Esta “é prova inequívoca de que o partido Renamo tem razão: houve enchimento de urnas”, disse o mandatário local da Renamo, Issufo Alane.

A Renamo e o Movimento Democrático de Moçambique (MDM), terceira força política parlamentar, não reconhecem os resultados das eleições que dão vitória à Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder, com maioria absoluta em todas as províncias nas presidenciais, legislativas e provinciais.