Na Estrada do Desvio, no Lumiar, moradores e comerciantes queixam-se de não ter onde estacionar e acusam a Câmara de Lisboa de retirar alguns dos já insuficientes lugares existentes.

Naquela rua da freguesia lisboeta do Lumiar, em frente a dois edifícios de apartamentos, existem seis lugares, tarifados pela EMEL – Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa, que correspondem a seis recortes num largo passeio, constatou a agência Lusa no local.

A outra parte do mesmo passeio não foi aplicado o mesmo critério e os munícipes, que ali sempre estacionaram, passaram a ser multados a partir de maio.

“Soubemos que o parquímetro estava ativado porque começaram a autuar”, afirmou à Lusa a munícipe Carla Martins Henriques, acrescentando que muitas pessoas foram “a correr tirar o dístico”, apesar de o estacionamento ser livre na maior parte da rua.

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A moradora, que tem vindo a representar um conjunto de moradores em queixas à autarquia e à EMEL, notou também que, do outro lado da rua, onde se localizam serviços e comércio, foram retirados mais lugares de estacionamento com o prolongamento da linha amarela correspondente à paragem de autocarro.

Por seu turno, Jorge Pinheiro, comerciante, sublinhou que aquela é uma zona “de população envelhecida” e referiu que “muitas pessoas chegam tarde e são obrigadas a deixar o carro longe” das suas casas, tendo Carla Martins Henriques acrescentado que se trata de uma zona insegura.

“O principal problema foi terem-nos tirado lugares de estacionamento (…). Tiraram estacionamento e não criaram mais”, criticou o comerciante, acrescentando que a EMEL deveria “criar lugares em cima do passeio”.

O morador Vítor Santos contou à Lusa que tem de ir ao hospital fazer hemodiálise “dia sim, dia não”, sendo que quando chega a casa, pelas 22h, não consegue arranjar estacionamento junto à sua casa.

“Deixo ali em cima do passeio e logo às 9h venho aqui tirar”, disse, explicando que após essa hora passa a haver fiscalização e os carros estacionados naquele local são multados.

Cristina Barbosa, dona de um café, também lamentou as políticas de estacionamento adotadas naquela zona.

“Isto também nos prejudica a nós, comércio local. Às vezes não consigo parar aqui. Mesmo a pagar não há opções. Sempre que preciso de ir às compras, tenho de vir com as compras às costas”, realçou.

Carla Martins Henriques lamenta ainda a falta de respostas por parte da autarquia da capital e da junta de freguesia e acusa a câmara municipal e a EMEL de ter “uma atuação aparentemente segregacionista”, justificando que os moradores da Estrada do Desvio, “zona menos abonada”, não foram informados acerca da colocação dos parquímetros, ao contrário daquilo que aconteceu no centro do Lumiar.

Os moradores da Estrada do Desvio queixam-se ainda do problema do “excesso de velocidade” verificado naquela rua.

Numa resposta escrita enviada à agência Lusa, o presidente da Junta de Freguesia do Lumiar, Pedro Delgado Alves (PS), explica que “a maior parte do arruamento não foi contemplada na planificação da primeira fase” de ativação das zonas de estacionamento tarifado, sendo que “os poucos lugares” de estacionamento tarifado implementados naquela rua “rematam apenas a parcela limítrofe da zona que foi ativada”.

O autarca garante, todavia, que estão a ser ponderadas, em conjunto com a EMEL, soluções adicionais de estacionamento para aquela rua.

“A solução em estudo, que será acompanhada de discussão pública prévia, procura identificar necessidades de bolsas reservadas a residentes, por um lado, e de demarcação adicional de lugares. Em 2017, introduzimos nesta zona alguma marcação de lugares, alargando as zonas em que ela é possível. No entanto, metade do arruamento fica na Freguesia de Santa Clara, pelo que a solução terá também de ser articulada com o território vizinho”, afirma Pedro Delgado Alves.

“Do lado que se encontra na Freguesia do Lumiar foram já regularizados inúmeros lugares em 2017 e 2018, através da garantia de um canal para peões delimitado com pilaretes e da marcação no chão de lugares. O espaço não comporta muitos mais, podendo ser necessário olhar também para o outro lado do arruamento, ou para a demarcação de lugares nalgumas ruas limítrofes, revendo circuitos de circulação também”, acrescenta o presidente da junta.

A Lusa questionou a Câmara de Lisboa (PS), mas não obteve resposta até ao momento.