O tempo seco está a prejudicar a produção e a qualidade da castanha na zona de Marvão, no Alto Alentejo, além de se verificar uma escassa procura por parte dos consumidores, lamentaram esta quinta-feira os produtores.

“Este ano está complicado, não choveu. A castanha que está a cair dos ouriços (cápsulas onde se encontra a castanha) vem seca”, disse quinta-feira à agência Lusa o produtor e empresário José Mário.

O microclima da Serra de São Mamede, propício à produção de castanha, já levou a que as entidades que tutelam o setor considerassem a castanha de Marvão como de “origem protegida”.

Numa zona do distrito de Portalegre onde predominam nos campos as espécies Bária e Clarinha, o mesmo produtor lamentou haver “pouca procura” por parte dos consumidores em adquirir este fruto. “As temperaturas também não têm estado a ajudar, estão altas. Ao não estar frio não puxa a comer castanhas”, observou.

Receando que a castanha ainda por apanhar seja “mais miúda”, com “pouco calibre”, José Mário referiu que o produto está atualmente a ser comercializado a cerca de um euro por quilo. Apesar do cenário negativo, o empresário afirmou que os produtores da zona vão assegurar o fornecimento na Feira da Castanha de Marvão, que vai decorrer nos dias 9 e 10 de novembro.

Contactado pela Lusa, o presidente da Câmara de Marvão, Luís Vitorino, mostrou-se igualmente preocupado com a situação em que vive o setor na região, explicando que estão a ser desenvolvidos vários trabalhos para encontrar uma solução para o problema. “Estamos a fazer um grande esforço para que esta fileira perdure no tempo. Nós temos um grande problema que são as alterações climáticas e os castanheiros a sul do Tejo começam sentir isso”, disse.

No entanto, avançou o autarca, o município está a realizar trabalhos no terreno com outras espécies para “tentar perceber” se, além das espécies Bária e Clarinha, poderão ser implementadas outras variedades na região.

O município de Marvão adquiriu aos produtores locais cinco toneladas de castanha e 1.500 litros de vinho para assegurar a realização da 36.ª Feira da Castanha — Festa do Castanheiro. O certame apresenta-se como a “grande mostra” de produtos locais e regionais, com dezenas de pontos de venda, onde os visitantes podem encontrar também produtos hortícolas, frutos secos, enchidos, queijos, vinhos, licores, azeite, compotas ou doces caseiros. Pelas ruas da vila histórica, vão estar espalhados vários magustos onde os visitantes poderão saborear as castanhas assadas e os vinhos produzidos na região.