Os diretores garantem que as agressões a professores e funcionários são casos isolados e que a imagem das escolas como “campos de batalha” está errada e longe do que se passa nos mais de cinco mil estabelecimentos de ensino do país.

A última semana foi marcada por revelações diária de novas histórias de agressões a professores. Para o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), Filinto Lima, os casos denunciados vieram criar na opinião pública uma imagem deturpada do que se passa dentro dos muros das escolas: “Dá ideia e que as escolas públicas são um campo de batalha, mas não são”, lamentou em declarações à Lusa.

O representante dos diretores lembrou que existem mais de cinco mil escolas em todo o país e que este mês foram conhecidos cinco casos. “Todos estes atos são altamente reprováveis e, até, em alguns casos, puníveis de acordo com a lei, mas não me parece que seja um problema das escolas portuguesas”, sublinhou, lembrando que, “infelizmente”, sempre houve situações conflituosas entre alunos e docentes.

A ideia de não existir um fenómeno crescente é corroborada pelo presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), Jorge Ascensão, que considera que “a escola é uma das instituições públicas mais seguras que o país tem”.

Jorge Ascensão lembrou que os estabelecimentos de ensino são frequentados diariamente por “quase dois milhões de pessoas: são cerca de 1,3 milhões de alunos e os restantes são professores e funcionários”, disse à Lusa, acrescentando que nestes números não estão contabilizados os encarregados de educação.

E é perante estes números que Jorge Ascensão e Filinto Lima contrariam a ideia de alarmismo social e falam em “casos pontuais”, tal como já tinha sido defendido esta semana pelo Ministério da Educação.

Filinto Lima lembra que “a escola pública é um espelho da sociedade” e a comunidade estudantil é bastante heterogénea. Jorge Ascensão acrescenta que “as crianças levam para a escola o que vêm em casa. As crianças agem de acordo com os exemplos que vivem diariamente dentro e fora de casa, mas também dentro das escolas”.

Apesar de considerarem que existem poucos casos, os dois responsáveis salientam que basta haver um para ser motivo de análise e avaliação. Além disso, reconhecem que existem condicionantes que podem levar um professor a optar por não denunciar a agressão.

Filinto Lima critica o Ministério da Educação por “não dar qualquer apoio jurídico nem psicológico aos professores vítimas de violência durante o exercício das suas funções”. “Um professor que queira fazer queixa, se precisar de um advogado terá de pagar do seu bolso, o que pode inibir muita gente de avançar”, lamentou.

Outras razões que podem inibir as vítimas de denunciar são a inconsequência das queixas e o receio de serem perseguidos pelos agressores, segundo alertas feitos por vários sindicatos, como a Fenprof e o SIPE (Sindicato Independente de Professores e Educadores), que exigem penalizações mais graves para os agressores.