Mais de 24.000 pessoas continuam deslocadas em Moçambique, distribuídas por vários campos de acolhimento e comunidades hospedeiras, anunciou esta sexta-feira a Organização Internacional para as Migrações (OIM), seis meses após a passagem do ciclone Kenneth.

“De acordo com os dados mais recentes da DTM [Matriz de Rastreamento de Deslocados (DTM, na sigla inglesa] da OIM que acompanham o ciclone Kenneth, 24.036 deslocados continuam a ser rastreados (distribuídos por cinco centros de acolhimento, um centro de transição e por comunidades hospedeiras) para identificar necessidades e lacunas, em apoio da comunidade humanitária e em proximidade com o Governo de Moçambique”, lê-se num comunicado emitido pela OIM.

O ciclone Kenneth atingiu Moçambique em 25 de abril, com ventos superiores a 200 quilómetros por hora, provocando estragos elevados nas províncias de Cabo Delgado e Nampula. A passagem do Kenneth pelo país lusófono ocorreu seis semanas após Moçambique ter sido atingido por um outro ciclone, o Idai, que, de acordo com os dados do Governo nacional afetou mais de 280.000 pessoas.

Desde a entrada do Kenneth em território moçambicano, a OIM prestou assistência a mais de 200.000 pessoas afetadas, quer sob a forma de abrigo, quer através da distribuição de bens não-alimentares.

A OIM refere que agora, seis meses depois da passagem deste ciclone, as comunidades no norte de Moçambique estão a trabalhar na recuperação dos estragos e que as famílias “estão a tentar terminar rapidamente a reconstrução das casas danificadas antes da época de chuvas”.

Ainda assim, a organização considera que vários esforços têm sido feitos por várias entidades, mas que os efeitos do ciclone continuam a ser sentidos.

“Os efeitos do ciclone Kenneth continuam a ser sentidos no norte de Moçambique. Apesar de seis meses terem passado e as águas terem recuado, a assistência continua a ser necessária para facilitar a recuperação de infraestruturas, incluindo de espaços comunitários”, disse a chefe da missão da OIM em Moçambique, Katharina Schnoering, citada no mesmo documento.

O ciclone Idai, que atingiu o centro de Moçambique em março, provocou 604 mortos e afetou cerca de 1,5 milhões de pessoas, enquanto o ciclone Kenneth, que se abateu sobre o norte do país em abril, matou 45 pessoas e afetou 250 mil.