O escritório das Nações Unidas para os Direitos Humanos manifestou esta sexta-feira preocupação com denúncias de uso excessivo de força pelas forças de segurança contra manifestantes, nos recentes protestos pós-eleitorais na Bolívia.

Em conferência de imprensa, Ravina Shamdasani, porta-voz do escritório da ONU para os Direitos Humanos, salientou que os relatos sobre excesso de violência da polícia incluem o uso de gás lacrimogéneo, “o que violaria os princípios básicos do uso de força” por parte das forças de segurança.

A porta-voz da instituição liderada pela Alta Comissária Michelle Bachelet também lembrou às autoridades bolivianas que “o uso de força contra manifestantes deve ser aplicado apenas em circunstâncias excecionais, de acordo com as normas e os padrões internacionais”.

Ravina Shamdasani acrescentou que as denúncias devem ser investigadas de maneira “rápida, profunda, independente e imparcial” e também comunicou aos manifestantes que as “suas queixas devem ser expressas de forma pacífica, sem recorrer à violência”.

Pedimos a todos os envolvidos, incluindo líderes políticos e seus seguidores, que exerçam restrições para reduzir as tensões e iniciem um diálogo para resolver os seus desacordos, caso contrário, existe o risco de que situação fique fora de controlo”, concluiu a porta-voz.

Os participantes nos protestos na Bolívia denunciam uma alegada fraude nas eleições nacionais que decorreram no domingo e que apontam para o presidente Evo Morales como o vencedor da primeira volta.

Os resultados oficiais divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral da Bolívia, citados pela AFP, indicam que, com 99,81% dos votos contados, Evo Morales conquistou 47,06% dos votos, contra 36,52% do seu principal adversário, o candidato centrista e ex-presidente boliviano Carlos Mesa.

O resultado garante, para já, a distância de 10 pontos percentuais necessários para que Evo Morales se possa declarar vencedor à primeira volta, o que fez em conferência de imprensa, na quinta-feira.

Foram convocadas para esta sexta-feira paralisações em cidades como La Paz, sede do Governo e do Legislativo, para mostrar a rejeição dos resultados.