A cidade de Barcelona vai ser palco de uma manifestação independentista que se prevê ser a mais participada desde que foi publicada a sentença dos políticos e líderes independentistas, outra que será a primeira que reúne partidos e organizações unionistas e ainda uma terceira que apelará ao diálogo entre os dois lados.

No fundo, há uma manifestação para todos os gostos.

A primeira a sair à rua foi a manifestação da iniciativa Parlem, Hablemos (que significa, em catalão e em castelhano, “falemos), ONG sem ligações partidárias que se define como um “apelo cidadão à empatia, a favor do desbloqueio”. De acordo com o El País e com o El Diário, a manifestação desta iniciativa, que se reuniu às 12h00 locais (11h00 de Lisboa) na praça de Sant Jaume, no centro de Barcelona, contou com aproximadamente 200 pessoas.

A manifestação concentrou-se assim em frente ao Palau da Generalitat, onde decorria uma encontro do governo regional da Catalunha, liderado por Quim Torra, com mais de 800 autarcas independentistas (entre os 947 municípios que existem naquela região).

A nível político, detalha o El Diário, a manifestação contou com poucas presenças. Estiveram por ali os candidatos do Más País (movimento iniciado pelo co-fundador e ex-militante do Podemos Iñigo Errejón) na Catalunha e também o deputado Ferran Pedret, do Partido Socialista da Catalunha (PSC).

O porta-voz da iniciativa Parlem, Hablemos disse durante aquela concentração que, além da dicotomia que mete unionistas de um lado e independentistas do outro, existe um “terceiro espaço” no debate em torno da Catalunha que “exige diálogo e recusa a crispação”.

Independentistas voltam às ruas este sábado…

É para ali que irá transitar Quim Torra, os restantes membros do governo regional da Catalunha e os autarcas independentistas que foram até Barcelona esta manhã de sábado. Às 17h00, no cruzamento das ruas Marina e Ramon Turró, no centro de Barcelona, estarão reunidos os manifestantes convocados pela ANC e a Òmnium Cultural, as duas maiores ONG independentistas cujos ex-presidentes (Jordi Sánchez e Jordi Cuixart) foram condenados a nove anos de prisão. A manifestação seguirá até à rua Icària.

O local não é escolhido por acaso, realça o El País. Foi precisamente este o trajeto escolhido por aquelas duas ONG quando se manifestaram pela primeira vez, a 11 de novembro de 2017, contra a detenção e prisão preventiva dos seus então presidentes.

O desfile da manifestação convocada pela ANC e pela Òmnium Cultural será encabeçada por familiares dos políticos e líderes cívicos condenados a cumprir penas de prisão. Os líderes e representantes políticos presentes — com Quim Torra, estará também o vice-presidente do governo regional, Pere Aragonès, além do presidente do parlamento regional da Catalunha, Roger Torrent — serão colocados noutra parte da manifestação.

Embora não seja convocada pelo grupo Tsunami Democràtic, sobre o qual pouco se sabe, nomeadamente quem o forma e que financiamento poderá receber, aquele grupo enviou uma mensagem aos seguidores no Telegram avisando-os que ao longo da manifestação poderão encontrar códigos QR, essenciais para validarem aplicação criada por aquele grupo. Esta é uma maneira encontrada pelos organizados do Tsunami Democràtic de manter a aplicação o mais segura possível, evitando que pessoas ausentes das manifestações tenham acesso à informação por eles disseminada.

… e os unionistas (menos o Vox) saem de casa no domingo

É a primeira vez que, desde foi conhecida a sentença e várias cidades da Catalunha foram tomadas por protestos, muitos deles com várias instâncias de violência, sai à rua a principal ONG unionista da região. Trata-se da Societat Civil Catalana (SCC), que já tinha organizado as maiores manifestações unionistas no anterior pico de tensão na Catalunha, em 2017.

A concentração unionista está prevista para este domingo às 12h00 locais (11h00 de Lisboa), no Paseo de Gràcia. Embora a organização refira que esta “não é uma manifestação política”, ela vai no entanto contar com a presença de partidos unionistas como o Partido Popular (PP), o Ciudadanos e o PSC. Já o Vox não será incluído na manifestação, depois de o presidente da SCC, Francisco Sánchez Acosta, ter dito: “Não os esperamos”. De acordo com o líder daquela ONG unionista convidou apenas “todos os que defnedam a democracia, a Constituicção e o autogoverno” da Catalunha.

O líder do Vox, Santiago Abascal, reagiu à posição da SCC dizendo que aquela ONG “emula as práticas de exclusão dos separatistas” e que assim “exclui terrivelmente os 148481 catalães e os quase 3 milhões de espanhóis que defendem a ordem constitucional”, em alusão ao número de votos que o seu partido conquistou nas eleições de 28 de abril deste ano.