A boa notícia foi Chiquinho. Aliás, a única notícia foi Chiquinho (a crónica do Tondela-Benfica)

Vlachodimos segurou o nulo, Ferro fez o 1-0 e o jogo acabou em 20 minutos – depois, houve um futebol sem ligação, sem qualidade, sem balizas até que entrou Chiquinho, a solução contra a monotonia.

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Ferro marcou o único golo do jogo aos 19', naquele que foi o quarto golo do Benfica de bola parada esta temporada

Tony Dias

Ferro marcou o único golo do jogo aos 19', naquele que foi o quarto golo do Benfica de bola parada esta temporada

Tony Dias

Pizzi pode ser o jogador mais vezes substituído do Benfica. Já era assim na última época, continuou a ser assim na presente temporada. Mas existe uma diferença entre ser substituído ou entrar a substituir. Uma diferença grande. Porque quando se olha para os segredos da viragem dos encarnados de Rui Vitória para Bruno Lage, é inevitável pensar nas dinâmicas que foram criadas no meio-campo, fosse pelo duplo médio no corredor central que mudou por completo com Florentino Luís e Gabriel, fosse pelo funcionamento de Pizzi e Rafa entre o jogo interior e a profundidade. Agora, sem o avançado português que se lesionou para algum tempo, era nas outras unidades mais ofensivas que recaíam ainda mais a missão de colorir um jogo que já foi elogiado de forma transversal como um arco-íris mas que agora o próprio treinador admite cair numa monotonia a preto e branco.

“Irregularidade exibicional? A situação do relvado [da Luz] ajuda e a ausência de jogadores importantes também. Seremos mais fortes quando pudermos ter todos mas não nos lamentamos, temos de encontrar soluções até porque isto acontece em todas as equipas. A quantidade de jogos que se fazem com tempos de recuperação muito curtos leva a problemas. Faz parte do futebol moderno, não nos podemos lamentar. Temos de encarar aquilo que nos aconteceu com uma atitude positiva e encontrar soluções para vencer”, salientou na conferência de antevisão Bruno Lage, a propósito das últimas exibições, da lesão de Rafa e do próprio relvado da Luz.

Saído do banco a 20 minutos do final, Pizzi aproveitou um erro crasso de Anthony Lopes para fazer o 2-1, garantir a primeira vitória dos encarnados na Champions (com o impacto financeiro que isso tem também pelo prémio de triunfo) e deixar também um statement: “Eu estou aqui”. Se foi uma mera celebração apenas a pensar no golo que acabara de marcar, se foi uma resposta para os assobios que se iam ouvindo na Luz ou se foi um “recado” a Bruno Lage por ter começado o encontro no banco, só o próprio poderá explicar. Uma coisa é certa: o número 21 voltou mas nem por isso o jogo mexeu muito. Nem com ele, nem com Taarabt, nem com Cervi.

Ficha de jogo

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Tondela-Benfica, 0-1

8.ª jornada da Primeira Liga

Estádio João Cardoso, em Tondela

Árbitro: Hugo Miguel (AF Lisboa)

Tondela: Cláudio Ramos; Fahd Moufi, Yohan Tavares, Philipe Sampaio (Richard Rodrigues, 73′), Bruno Wilson, Filipe Ferreira (Jonathan Toro, 81′); Pepelu, João Pedro; Jhon Murillo, Xavier e Denilson (Strkalj, 83′)

Suplentes não utilizados: Babacar Niasse, Jaquité, João Reis e Ricardo Alves

Treinador: Natxo González

Benfica: Vlachodimos; André Almeida, Rúben Dias, Ferro, Grimaldo; Florentino Luís, Gabriel; Pizzi (Carlos Vinicius, 87′), Taarabt (Chiquinho, 66′), Cervi (Gedson Fernandes, 90+5′) e Seferovic

Suplentes não utilizados: Ivan Zlobin, Jardel, Tomás Tavares e Jota

Treinador: Bruno Lage

Golo: Ferro (19′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Florentino Luís (26′), André Almeida (85′) e João Pedro (90+2′)

A história do Tondela-Benfica resume-se aos primeiros 20 minutos, quando os encarnados tiveram a oportunidade de inaugurar o marcador, Vlachodimos segurou o nulo, Ferro inaugurou o marcador e Denilson falhou a última chance dos visitados; depois, veio uma travessia no deserto com um futebol sem ligação, sem a qualidade desejada, sobretudo sem balizas. Até que entrou Chiquinho, a meio da segunda parte. Dois meses depois da complicada lesão contraída no clássico com o FC Porto, o médio ofensivo/avançado quebrou a monotonia, fez os dois únicos remates de perigo no segundo tempo e mostrou que, depois de uma recuperação recorde, é um verdadeiro reforço para as opções de Bruno Lage. Chiquinho foi a boa notícia. Aliás, Chiquinho foi a única notícia.

Perante um Tondela que causou alguma surpresa em termos táticos nos minutos iniciais (o que levou Bruno Lage a chamar Seferovic para articular movimentações perante uma linha de três centrais contra apenas um avançado), o Benfica teve uma entrada melhor e, após um canto ainda dentro do minuto inicial, Pizzi ficou perto de inaugurar o marcador na sequência de um remate prensado de Cervi que sobrou para o internacional português obrigar Cláudio Ramos a defender para canto (2′). Com muito mais bola e a colocar em posse os centrais quase na linha do meio-campo, os encarnados tinham encontrado a sua zona de conforto no jogo. Tão confortável que, perante alguma passividade na reação à perda e nas transições defensivas, podia ter começado a perder.

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Após uma recuperação de bola de João Pedro a Gabriel no corredor central e numa saída rápida com variação de flancos a passar pelos pés de Pepelu, Xavier e Jhon Murillo, Denilson teve uma oportunidade flagrante para fazer o empate mas Vlachodimos, com uma intervenção por instinto com as pernas, conseguiu travar o remate (9′). Logo no minuto seguinte, Xavier conseguiu encontrar espaço no corredor central para testar o seu pé esquerdo, atirou colocado mas o grego voltou a ser melhor, desviando com a ponta dos dedos para canto (10′). Num minuto, o Tondela teve duas oportunidades soberanas para marcar, as melhores da primeira parte, mas passar o número 99 dos encarnados tornou-se um obstáculo bem mais difícil do que criar essas mesmas chances.

Com bola, o Benfica sentia-se bem; sem ela, passava mal. E o próprio Bruno Lage parecia sentir isso mesmo, como se viu quando, ao 18.º minuto, estava sentado no banco de suplentes de cabeça para baixo quase que olhando para o relvado e pensando naquilo que poderia fazer de diferente. Pizzi, a sair da posição mais interior à direita e a fletir para o meio para tentar a meia distância, viu a bola bater num defesa contrário e sair pela linha de canto. Aí, nesse lance, Ferro nem precisou de saltar para empurrar de cabeça para a baliza de Cláudio Ramos, naquele que foi o primeiro golo do central no Campeonato e o quarto dos encarnados na prova após bola parada (19′).

Pouco depois, em mais uma boa combinação das unidades ofensivas do Tondela, Denilson subiu mais alto ao segundo poste mas o cabeceamento acabou por sair ligeiramente por cima (20′). Esta seria a última oportunidade até ao intervalo de um jogo onde o resultado não refletia as dificuldades que o Benfica foi sentindo nas transições defensivas e na falta de explosão nas saídas rápidas – porque se é verdade que a ideia coletiva de Bruno Lage não mexeu, as características individuais ao serviço do coletivo de Cervi estão longe de serem como as de Rafa.

A segunda parte recomeçou com características semelhantes mas sem aquilo para o qual o futebol também é feito: balizas. Por um lado, o Tondela, mantendo a organização dos três defesas com bola e cinco sem ela, manteve uma boa organização coletiva, conseguiu em alguns momentos passar a pressão na primeira fase de construção mas não voltou a criar mais oportunidades; por outro, o Benfica, melhorando a questão posicional das transições e ficando com os mesmos índices de posse, teve mais dificuldades em entrar no último terço com bola controlado para visar a baliza de Cláudio Ramos, fazendo alguns remates de meia distância mas longe do alvo.

Foi então que entrou Chiquinho, a meio da segunda parte: com o conjunto do Tondela mais interessado em pedir o segundo cartão amarelo para Florentino Luís do que propriamente em tentar rematar para chegar ao empate, o antigo jogador do Moreirense conseguiu trazer a agitação entre linhas que o jogo do Benfica necessitava para, pelo menos, fazer os dois únicos remates com perigo dos encarnados nos últimos 45 minutos. Os encarnados ganharam, somaram a quinta vitória seguida e levaram os três pontos mas a notícia foi o regresso de Chiquinho. Sem Rafa e com Pizzi e Taarabt numa fase irregular, é nele que recaem as esperanças para a melhoria exibicional.

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