Aconteceu na primeira parte, aconteceu no segundo tempo, aconteceu mais do que é normal. De quando em vez, Bruno Lage ia para o banco, sentava-se e olhava para o relvado, quase que pedindo um desconto de tempo para perceber como dar a volta a um jogo complicado e que nem com o golo marcado por Ferro deixou de estar sempre a complicar. Por isso, e no final do encontro, o treinador dos encarnados colocou muito o ênfase nesse binómio: por um lado, a capacidade do conjunto adversário; por outro, a importância da conquista dos três pontos.

“Foi um jogo muito difícil, ainda por cima com a alteração de cinco defesas no Tondela, na expectativa de jogarmos com dois pontas de lança, para condicionar o jogo. Entrámos bem, fizemos 30 minutos em que controlámos, provocando a dinâmica que temos quando defrontamos equipas com cinco defesas. Preparámos o jogo para essa possibilidade e acho que o fizemos bem”, começou por referir na zona de entrevistas rápidas da SportTV.

“Depois, o Tondela prendeu-nos com a inclusão dos alas perto dos laterais, impedindo a nossa pressão. Tentaram controlar o jogo e fazer-nos correr à largura. Nessa altura tivemos alguma dificuldade em perceber essa dinâmica. Corrigimos essa situação, defendemos os alas de forma diferente, controlámos defensivamente mas ofensivamente abusámos um pouco nos passes verticais. Com a linha de cinco defesas éramos amassados e perdíamos a bola. Coletivamente estivemos bem, entendemos o jogo que era necessário fazer. Era preciso ter esta mentalidade competitiva e ganhadora depois da Champions. São três pontos preciosos na corrida pelo título”, completou.

Mas houve mais temas de conversa após o jogo que valeu o terceiro triunfo consecutivo para o Benfica depois da paragem para os compromissos das seleções, o quinto a contar apenas os encontros para o Campeonato. E, nesse particular, os problemas físicos que têm assolado alguns jogadores influentes da estrutura das águias assumiram especial destaque, até por ter sido o jogo de regresso de Chiquinho após a lesão de Rafa.

“Há lesões e lesões mas não podemos incluir o caso do Raúl de Tomás, que parou dois ou três dias, ou o Grimaldo, que parou dois dias. Isso é exagerado. O que nos preocupa é que não temos conhecimento da causa das lesões e há muito tempo que temos vindo a ter jogadores lesionados. O problema foi identificado e vamos tentar resolver isso da melhor maneira. Independentemente dos jogadores, precisamos ter um coletivo que resolva os problemas e uma mentalidade vencedora independentemente das circunstâncias. Estamos em todas as competições, há muitos jogos e nós depois de fazer o nosso caminho”, referiu Bruno Lage sobre o tema.

“O que dizer sobre o Rafa? Fica um desafio: ele é mais rápido do que o Chiquinho, vamos ver se também recupera mais rápido [da mesma lesão] do que o Chiquinho”, concluiu já na conferência de imprensa no final daquela que foi a 13.ª vitória consecutiva fora no Campeonato desde que assumiu o comando dos encarnados.