Agora com sinal reforçado em Lisboa 98.7 FM No Porto 98.4 FM Auto / Daimler Seguir Camião a fuel cell. Daimler aposta no hidrogénio Com base na experiência com o eCanter, produzido em Portugal, a Daimler junta-se às marcas que defendem EV não apenas a bateria. Eis o Vision F-Cell, que recorre a célula de combustível a hidrogénio. Alfredo Lavrador Texto 27 Out 2019, 19:43 183 i ▲O Vision F-Cell tem 184 cv e será capaz de percorrer 300 km, antes de ter de encontrar um local onde possa reabastecer os tanques de hidrogénio Daimler AG O Vision F-Cell tem 184 cv e será capaz de percorrer 300 km, antes de ter de encontrar um local onde possa reabastecer os tanques de hidrogénio Daimler AG 4 fotos Como um dos maiores fabricantes mundiais de camiões, autocarros e veículos comerciais, a Daimler está preocupada em criar igualmente para os veículos pesados soluções neutras em carbono, se considerarmos o ciclo “tank to wheel”. Uma das suas mais recentes propostas neste sentido é o Fuso Vision F-Cell, camião que é eléctrico, mas que vê a electricidade de que necessita para se deslocar ser produzida a bordo, através de uma célula de combustível a hidrogénio (fuel cell).Este Vision F-Cell parte da experiência alcançada com o Fuso eCanter, camião eléctrico fabricado em Portugal, nas instalações da Mitsubishi Fuso Truck Europe do Tramagal. Já há mais de 140 unidades nas mãos de clientes, para que a Daimler (dona dos camiões Mitsubishi/Fuso) tenha dados concretos sobre a utilização dos seus veículos pesados comerciais. A diferença é que, até agora, os eCanter eram eléctricos alimentados por bateria, mas o protótipo revelado pela Daimler no Salão de Tóquio é o primeiro que recorre a fuel cell. A vantagem desta solução é a maior rapidez de abastecimento, uma vez que os tanques a 350 ou a 700 bar levam 10 a 15 minutos a atestar, para depois percorrer maiores distâncias, um pouco à semelhança do que acontece com os motores a gasóleo. Há outros dois factores que tornam as células de combustível mais interessantes do que as baterias – pelo menos, enquanto estas estiverem no actual estádio de evolução –, sendo que o primeiro tem a ver com o menor peso do conjunto fuel cell/depósitos de hidrogénio, contra o peso das baterias necessárias para o mesmo tipo de autonomia. O segundo factor prende-se com o custo, com as fuel cells a serem igualmente mais baratas, se produzidas em série tal como as baterias.À semelhança do que acontece há muito com a Toyota (bem como a Hyundai e a Honda) e, mais recentemente, com a Renault, que apresentou os seus primeiros comerciais ligeiros a hidrogénio, também a Daimler está apostada nos veículos eléctricos, mas não exclusivamente a bateria, pelo menos de momento e para determinados sectores. Mas apesar de a Alemanha ser dos países que possui a maior rede de postos de abastecimento de hidrogénio, este tipo de solução vai confrontar-se com a ausência de uma rede eficaz de abastecimento, o que é mais evidente em países como o nosso, onde não existe um único aberto ao público.