O Presidente boliviano descartou no sábado “qualquer negociação política” com a oposição, que contesta os resultados das eleições presidenciais de 20 de outubro, e excluiu qualquer possibilidade de uma segunda volta, apesar das tensões no país.

“Aqui não há negociação política, aqui respeitamos a Constituição e respeitamos o partido que venceu as últimas eleições”, disse Evo Morales, de 60 anos, no poder desde 2006, enquanto a contestação continua em várias partes do país.

As declarações do chefe de Estado foram realizadas em Cochabamba, no centro do país. A reeleição de MOrales na primeira volta é oficial desde a proclamação dos resultados finais de sexta-feira, imediatamente contestadas pelo principal adversário, Carlos Mesa.

Mesa rejeitou a contagem final e denunciou o que considera ser uma “fraude eleitoral” que está a “violar a vontade do povo”, continuando a exigir uma segunda volta, um pedido apoiado pela União Europeia, Estados Unidos, Organização dos Estados Americanos (OEA), Colômbia e Argentina.

O adversário de Morales prometeu ainda que as manifestações, que começaram na noite das eleições, se intensificarão a partir de segunda-feira.

Milhares de pessoas continuaram no sábado a invadir as ruas das principais cidades do país, cortando o tráfego e agitando bandeiras nacionais.

Em La Paz e Santa Cruz, capital económica do país e reduto da oposição que se tornou o centro nervoso de todos os protestos, os bolivianos invadiram supermercados para garantirem provisões, num momento em que aqueles espaços comerciais estão sujeitos a horário parcial de funcionamento após a greve iniciada na quarta-feira.