Há Díaz assim, em que tudo parece voltar ao velho normal (a crónica do FC Porto-Famalicão)

À oitava jornada, o Famalicão sofreu a primeira derrota às mãos do FC Porto, que fez tudo voltar ao velho normal e é líder com o Benfica (3-0). Luis Díaz voltou a marcar e a abrir o marcador.

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O colombiano já tinha marcado ao Glasgow Rangers

Getty Images

O colombiano já tinha marcado ao Glasgow Rangers

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Na passada quinta-feira, no rescaldo do empate no Dragão com o Glasgow Rangers, Sérgio Conceição explicou que não fala “de camas nem de lençóis”, em alusão a uma questão que colocava em causa as opções para a receção aos escoceses, e garantiu que aquilo que o preocupa são os resultados, os jogadores e os desafios que surgem agora de três em três dias. Desconstruída, a declaração do treinador do FC Porto significava que para os dragões, a partir de agora e numa altura em que o overbooking do calendário se vai tornando evidente, o mais importante é ir vencendo.

Até porque, numa revisão global daquilo que foram as últimas semanas do FC Porto, vencer não tem sido algo perfeitamente adquirido. Depois da derrota com o Feyenoord na Holanda, que pôs fim a uma série de oito vitórias consecutivas para todas as competições, a equipa de Conceição goleou de forma natural o Coimbrões na Taça de Portugal mas voltou a escorregar na Europa, frente ao Glasgow, em casa e depois de estar a ganhar. Ora, o jogo deste domingo, no Dragão e perante o surpreendente líder Famalicão, ia servir como termómetro à fase do FC Porto: o resultado do encontro, ainda por cima perante uma equipa que tinha mais um ponto à entrada para esta jornada, iria deixar claro se a equipa atravessa uma crise de exibições e resultados ou se os dois jogos europeus nada mais foram do que acidentes de percurso.

Ficha de jogo

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FC Porto-Famalicão, 3-0

8.ª jornada da Primeira Liga

Estádio do Dragão, no Porto

Árbitro: Fábio Veríssimo (AF Leiria)

FC Porto: Marchesín, Mbemba, Pepe, Marcano, Manafá (Alex Telles, 79′), Danilo, Uribe, Otávio, Corona, Soares (Fábio Silva, 86′), Luís Díaz (Nakajima, 79′)

Suplentes não utilizados: Diogo Costa, Bruno Costa, Loum, Zé Luís

Treinador: Sérgio Conceição

Famalicão: Defendi, Lionn, Patrick, Nehuen, Centelles, Gustavo Assunção, Guga (Racic, 63′), Pedro Gonçalves (Diogo Gonçalves, 80′), Rúben Lameiras, Anderson (Schiappacasse, 63′), Fábio Martins

Suplentes não utilizados: Vítor Caetano, Riccieli, Walterson, Toni Martínez

Treinador: João Pedro Sousa

Golos: LuisDíaz (45′), Soares (72′), Fábio Silva (88′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Patrick (50′), Gustavo Assunção (77′), Diogo Gonçalves (90+2′)

Além de tudo isso, era necessário não esquecer que o jogo deste domingo no Dragão era também um encontro entre duas equipas separadas por um ponto, entre primeiro e terceiro classificado e entre dois dos três conjuntos mais regulares da presente temporada: e que sabiam, na hora do apito inicial, que ambos precisavam da vitória para continuar agarrados ao topo da tabela. O Benfica, o primeiro a entrar em campo, já havia vencido o Tondela e era por isso líder isolado da Primeira Liga, com mais três pontos do que o FC Porto e mais dois do que o Famalicão. O encontro entre os conjuntos de Sérgio Conceição e João Pedro Sousa era, por isso mesmo, decisivo para saber como iria ficar a classificação no encerrar da jornada.

Na hora de escolher o onze inicial, o treinador dos dragões operou várias mudanças face à equipa que empatou com o Glasgow a meio da semana. A principal surpresa, acima de todas as outras, era a ausência de Alex Telles do onze titular, já que o lateral brasileiro tem sido um dos verdadeiros jogadores indiscutíveis para Sérgio Conceição. Mbemba ocupava então a direita da defesa e Manafá o lado esquerdo, já que Corona subia no terreno e era o responsável pela faixa direita dos dragões. Luis Díaz estava na esquerda no apoio a Soares, isolado na frente, Zé Luís começava no banco e Marega nem sequer estava entre os convocados. O FC Porto começou melhor, com Soares a responder de cabeça a um cruzamento de Corona (1′), e depressa se percebeu que seria principalmente pelo corredor direito que o ataque azul e branco iria fluir, já que Mbemba estava mais presente no movimento ofensivo do que Manafá e Corona procurava o jogo interior que não estava a ser intrínseco a Otávio.

A equipa de Sérgio Conceição poderia ter inaugurado o marcador várias vezes durante o primeiro quarto de hora — Uribe teve duas ocasiões (4′ e 15′), Soares protagonizou outra (15′) — mas esbarrou sempre na boa exibição de Defendi, que estava intransponível entre os postes do Famalicão. O conjunto de João Paulo Sousa, habituado a aplicar um futebol ofensivo e entusiasmante que surpreende e asfixia a grande maioria das equipas da Primeira Liga, estava a ser habituado a jogar com os setores muito próximos e o bloco muito recuado — algo que não é natural à equipa e que obriga a uma certa reorganização face àquilo que normalmente executa. À exceção de um remate de Fábio Martins, que obrigou Marchesín a uma defesa apertada (19′), o Famalicão praticamente não teve caudal ofensivo e estava irreconhecível, principalmente porque raramente passa tanto tempo fechado dentro do próprio meio-campo.

Sérgio Conceição ia pedindo a Manafá que subisse no terreno, de forma a equilibrar a equipa e não depender totalmente daquilo que o corredor direito fazia, mas a verdade é que o FC Porto — apesar de continuar sem marcar — estava confortável no jogo, ia demonstrando um futebol agradável e articulado e parecia tranquilo apesar do adiar da vantagem. O previsível golo apareceu já em cima do intervalo, com os dragões a intercetarem a construção do Famalicão ainda no meio-campo adversário; Luis Díaz conduziu, combinou com Corona na direita e voltou a receber do mexicano já no interior da grande área, atirando depois para bater Defendi (45′).

No início da segunda parte, e sem qualquer alteração de ambos os lados, o FC Porto voltou com a mesma dinâmica ofensiva e mobilidade para lá da linha do meio-campo: Corona e Luis Díaz eram os principais expoentes desta característica, já que o mexicano explorava as linhas interiores do lado direito e o colombiano não tinha par a oferecer largura do lado contrário, tanto em combinações com Manafá — que também estava acima da média, beneficiando da escassa ação defensiva de Rúben Lameiras — como em incursões individuais.

[Carregue nas imagens para ver alguns dos melhores momentos do FC Porto-Famalicão:]

O Famalicão continuava sem conseguir reter a posse de bola e com muitas dificuldades na transição construtiva mas ia beneficiando, com o passar dos minutos e com uma dupla substituição, de um certo desacelerar do FC Porto, que depois de não conseguir aumentar a vantagem nos 20 minutos iniciais da segunda parte recuou as linhas e refreou o ímpeto ofensivo que vinha a aplicar. Sem nunca conseguir equilibrar verdadeiramente a partida, a equipa de João Paulo Sousa acabou por sofrer o segundo golo fruto da inequívoca disparidade de qualidade individual, de eficácia defensiva e ofensiva e de concentração máxima durante 90 minutos.

Soares recuperou a bola ainda no meio-campo do Famalicão, conduziu sozinho e sem oposição até à entrada da grande área, onde tentou rematar e beneficiou do ressalto; à saída de Defendi, contornou o guarda-redes e rematou para a baliza deserta para aumentar a vantagem dos dragões (72′). João Paulo Sousa ainda lançou Diogo Gonçalves, Sérgio Conceição retirou um desgastado Wilson Manafá para fazer entrar Alex Telles e deu minutos a Nakajima mas a partida pouco ou nada se alterou. O Famalicão teve mais bola nos derradeiros dez minutos, já que o FC Porto recuou de forma assumida e colocou pela primeira vez toda a equipa atrás da linha divisória do meio-campo, mas não conseguiu criar qualquer oportunidade e circulou sempre de forma praticamente inofensiva. Até ao final, Fábio Silva ainda teve tempo para se estrear a marcar na Liga, depois de se estrear a marcar pela equipa principal no jogo da Taça, aproveitando um erro de Defendi na segunda vez que tocou na bola (88′).

À oitava jornada, o Famalicão caiu, perdeu pela primeira vez e deixou fugir a liderança, onde estão agora Benfica e FC Porto em igualdade pontual. A equipa de João Paulo Sousa vai agora descobrir, daqui e até ao final da temporada, se consegue manter o ritmo vitorioso e lutar pelos lugares cimeiros da Primeira Liga. Quanto aos dragões, que deixaram claro que os dois deslizes europeus foram apenas e só isso mesmo — dois deslizes –, voltaram às exibições convincentes e estabeleceram uma dinâmica forte e que se adaptou às circunstâncias da partida.

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