As 768 janelas em forma circular da icónica cúpula ainda lá se mantém, no teto. E talvez sejam das únicas características do edifício – e uma das imagens de marca – que não mudaram com as obras e com as vontades, por força da insistência em preservar a identidade arquitetónica exterior. O Super Bock Arena – Pavilhão Rosa Mota inaugurou hoje, transformado e envolto em polémica.

Pelas 14h00 Rui Moreira já tinha chegado, sem dar hipótese ao jornalistas para lhe colocarem perguntas sobre a controvérsia que irrompeu esta manhã com a ausência de Rosa Mota àquela inauguração. Afinal, o pavilhão ainda mantém o nome da atleta da cidade, mas não com a relevância com que Rosa Mota esperaria.

Numa carta enviada aos Vereadores da câmara do Porto, em resposta ao convite formal para a inauguração, a campeã olímpica mostrou-se “enganada” porque não pensou que o seu nome fosse secundarizado em relação à marca de cerveja.

A resposta de Rosa Mota marcou a manhã informativa, mas, durante a inauguração, quem não tivesse estado atento às notícias, não dava conta.

Filipe Azevedo, da construtora Lucios, começou mesmo o discurso no Centro de Congressos, localizado no piso -1 e com capacidade para 532 lugares, a dizer que “hoje é um dia feliz e de emoções fortes” e agradeceu a Rui Moreira, Presidente da Câmara do Porto, a coragem em “decisões tomadas na génese e em todo o processo”.

Por seu turno, Jorge Silva da PEV Entertainment, enganou-se ao dizer o nome do Super Bock Arena, chamando-lhe “Pavilhão Rosa Mota” mas corrigindo logo a seguir, quando se referia ao facto de a sala de espetáculos ter de passar a ser “a principal sala de visitas de um Porto moderno”, por ser “moderna e apetrechadas das melhores tecnologias”. E ao finalizar o discurso, o segundo da tarde, fez referências aos nomes: “muitos ainda lhe chamam Palácio de Cristal, Pavilhão Rosa Mota, o cogumelo e ainda a nave espacial”, enumerou. Mas “é tempo de futuro” e agora o Pavilhão Rosa Mota terá de ser “a nossa nave especial”, concluiu.

Em 11 minutos de discurso, nenhuma das pessoas que usaram da palavra tinha feito referência à ausência da atleta que ganhou o ouro olímpico. Manuel Violas, do Conselho de Administração da Super Bock, foi quem inaugurou o tema Rosa Mota, comparando a glória da atleta à marca de cerveja a que preside, também ela nascida no Porto. “Tal como Rosa Mota, daqui partimos para o mundo e lá nos tornamos conhecidos e reconhecidos”.

Já Rui Moreira, o último a subir a palco, não fugiu ao tema que pôs também a Câmara do Porto no centro dos holofotes mediáticos. “Naturalmente, não vos oculto a pena que tenho por não estar cá hoje a Rosa Mota”. Apesar de lamentar, o Presidente da Câmara do Porto reforçou a ideia que já tinha vindo a público em comunicado da Câmara, a de que o maior interesse público era o de renovar aquele pavilhão.

“Ali fora do Palácio vejo escrito Pavilhão Rosa Mota, aqui dentro também vejo. O que eu sei é que as pessoas que gostam da Rosa Mota gostam que este pavilhão esteja reabilitado. E por favor não me venham com complexos por haver um nome que esteja associado a bebidas alcoólicas. Antes de ser conhecida, como é hoje, pelo FC Porto, pela sua cultura, pelos seus músicos, pela irreverência, a cidade do Porto já era associada a um vinho chamado Vinho do Porto”.

O Porto não tinha capacidade para renovar o pavilhão somente com investimento público, considera Rui Moreira, admitindo também que “mesmo que o tivesse, não o teria feito porque este é exatamente o tipo de projeto em que, se fizermos as coisas bem feitas, o público e o privado podem casar para benefício de todos”.

O novo Pavilhão Rosa Mota tem agora uma sala de congressos onde antes havia casas de banho e arrumos e um restaurante com vista para o lago e para os Jardins do Palácio de Cristal, com uma área interior de 300 metros quadrados e uma esplanada com cerca de 400. Igualmente aberto durante o dia, está ainda previsto um food court no piso 0, com 400 metros quadrados, que dará apoio a todas as atividades realizadas.

Até à data, o espaço já conta com a confirmação de vários eventos. Vai ser inaugurado na quinta-feira, 31 de outubro, pelos Ornatos Violeta (com uma data extra na sexta-feira, dia 1), mas contará também com concertos de Rui Veloso (14 de dezembro), Lisbon Film Orchestra (8 de dezembro), do projeto Amar Amália (16 de novembro) ou de Carmina Burana (28 de dezembro).

Acabado o discurso, visitou-se a central e renovada arena 360º, com capacidade para 5.500 lugares sentados e, mediante a recolha de bancadas retráteis, com a possibilidade de albergar até 8 mil pessoas. De lá, veem-se os 768 óculos. Nesta tarde, lá se bebeu também cerveja Super Bock, numa das onze variedades disponíveis para prova. O evento acabou mais cedo do que o previsto e lá fora continuou sempre a chover.