A Transparency International estudou mais de 400 casos de alta corrupção e lavagem de dinheiro no Reino Unido e concluiu que a maioria gasta o dinheiro em iates privados, joias de luxo, obras de arte, carros e propriedades imobiliárias.

Segundo um porta-voz desta Organização Não Governamental (ONG), milhões de libras obtidas através da corrupção circulam no Reino Unido por ser “um refúgio seguro para os corruptos que querem lavar o produto da sua riqueza ilícita, viver uma vida de luxo e limpar a sua reputação”, além de ser um mar de oportunidades no que diz respeito ao luxo e à extravagância.

A investigação dá conta de cerca de 346 mil milhões de euros canalizados através de bancos ou advogados para a compra de vários bens de luxo como “um anel de diamantes Cartier de um milhão de libras [1 milhão e 150 mil euros]”, ou “um casaco de pele de crocodilo da Tom Ford de 50 mil libras [quase 58 mil euros]“, diz o mesmo porta-voz ao ABC.

Mas não é no luxo que está o único destino dos milhões corruptos. A Transparency International aponta ainda doações a instituições de caridade e educação como “uma forma de melhorar a imagem ao mesmo tempo que compram respeito e responsabilidade social”.

Este dinheiro é obtido através de esquemas ilícitos e de corrupção que acontecem por todo o mundo, mas que não pode ser movimentada diretamente para o Reino Unido. Antes disso estas fortunas “movem-se através de estruturas corporativas muito complexas baseadas em jurisdições secretas” como o Canal da Mancha, as Ilhas Virgem ou a Ilha de Jersey.

Esta migração de verbas permite que se perca o rasto ao dinheiro, lavando o seu percurso “sujo” e, aí, o setor terciário desempenha um papel importante na “reabilitação” da riqueza ilícita. Milhões de libras são investidas também em relações públicas e advogados para que possam “começar a vida de novo e ocultar os crimes do passado”, ou em escolas de elite para que os filhos se misturem com a sociedade mais alta e influente”.

No estudo são também identificados alguns dos protagonistas destes gastos. Um amigo de Muammar al-Gaddafi, uma sobrinha de Bashar Al-Assad, oligarcas russos ou até mesmo barões da droga do cartel de Sinaloa que possuem várias propriedades hipotecadas junto de bancos legítimos. É o caso de  Ali Dabaiba, o amigo de Gaddafi que contraiu um empréstimo junto do LGT Bank AG, em Dublin, apesar de este se encontrar na lista negra do Conselho de Transição da Líbia.