O antigo Presidente são-tomense Miguel Trovoada disse esta terça-feira estar a ser alvo de “espionagem”, lamentando “sinais de um regresso” a uma época que “já removida na história” do país.

Miguel Trovoada pediu uma audiência ao Presidenta da República, Evaristo Carvalho, para se queixar da “sinais muito bem claros de violação da constituição, dos direitos e liberdade dos cidadãos”.

“Eu pessoalmente constatei dois casos que me pareceram bastante insólitos. Recebi na minha residência uma delegação, por acaso do Sr. presidente da Assembleia Nacional acompanhado de alguns colaboradores para me convidar para uma palestra no dia 26 de novembro, em comemoração dos Acordos de Argel”, contou Miguel Trovoada a jornalistas no final de cerca de duas horas de audiência com o chefe de estado.

Depois deste encontro um dos agentes da minha segurança foi chamado pela hierarquia para procurar saber quem eram as pessoas. Eu achei muito estranho e desagradável que em São Tomé e Príncipe pudéssemos estar a ter sinais a um regresso a uma época que nós pensávamos já removidas na história do nosso país”, acrescentou.

Miguel Trovoada disse ter recebido, também, há dois dias um cidadão na sua residência para “conversar sobre várias questões”.

“O segurança vem me informar que a bastonária da Ordem dos Advogados passou, viu o carro, parou pegou no seu smartphone, fez fotografia à viatura da pessoa que estava na minha residência e quando o segurança saiu e se encarou com ela, ela arrancou o caro”.

O antigo chefe de estado considera o que lhe está a acontecer como “muito inquietante, muito triste” e interroga-se: “O que é que a bastonária da Ordem de advogados tem a ver com essa espionite que se está a desenvolver e que me parece ser sinais precursores de uma certa esquizofrenia que pode-se alastrar no nosso país?”

Miguel Trovoada disse ter abordado igualmente com Evaristo Carvalho os últimos acontecimentos relacionados com a manifestação contra a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) que resultou na destruição de vários templos dessa congregação religiosa e a morte de um adolescente. “São situações gravíssimas com queimas de viaturas, num clima quase que de insurreição no país que é algo a que nós não estamos habituados”, disse Miguel Trovoada.

O antigo estadista considera essa manifestação violenta como “um precedente” de uma outra ocorrida aquando das eleições, altura em que também foi queimada a viatura de uma magistrada. “Há rostos bem identificados e não houve sequência de se responsabilizar as pessoas e punir para que isso não constituísse uma espécie de escola”, lamentou o antigo chefe de estado.

Nós estamos num país democrático e as pessoas têm que entender que há regras que têm que ser respeitadas”, acrescentou Miguel Trovoada, considerando que num Estado de Direito Democrático deve imperar a lei.

As pessoas têm que ser responsabilizadas, mas essa responsabilização não pode ser feita à geometria variável que quando são uns procura-se responsabilizar – por vezes inventando os responsáveis – e quando são outros procura-se proteger”, lamentou.