O secretário-geral comunista acusou esta terça-feira o PS de denegrir a “honestidade e competência” da Coligação Democrática Unitária (CDU) na gestão de autarquias, especificamente na Câmara Municipal de Almada, referindo-se ao relatório da Inspeção-Geral das Finanças (IGF) que foi tornado público esta terça-feira.

“Percebemos perfeitamente os objetivos do PS que, através da Câmara Municipal, procura denegrir aquilo que é uma marca da CDU de que o PS não se pode gabar – a honestidade, o trabalho e a competência. Nesse relatório não estão reconhecidas nenhumas barbaridades nem ilegalidades. É estranho que o PS agarre numa questão que se tratou de um trabalhador com 25 anos receber como registo do seu trabalho um relógio e transformá-lo num caso político”, disse Jerónimo de Sousa.

O líder do PCP respondia a perguntas dos jornalistas após uma reunião com representantes da Associação Intervenção Democrática, que integra habitualmente a Coligação Democrática Unitária (CDU), na sede nacional do PCP, em Lisboa.

“Sabemos ao que o PS vem, mas em relação à forma como a CDU gere os municípios seria uma boa lição e ensinamento para alguns setores do PS”, sublinhou.

Jerónimo de Sousa desconfiou ainda das intenções por trás do referido relatório de auditoria em causa, insinuando que aquela instituição não é imparcial, numa referência ao facto de o irmão da atual líder parlamentar socialista, Ana Catarina Mendes, ser o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, António Mendonça Mendes.

Quem está à frente da entidade? Valia a pena ver quem é que está à frente dessa instituição. Não, não é nada independente, pelo menos a pessoa que dirige”, acusou.

O jornal Público noticiou esta terça-feira que aquela auditoria da IGF apontou à presidência do comunista Joaquim Judas do município da margem sul do Tejo, entre 2014 e 2016, “despesas ilegais” de, pelo menos, 1,6 milhões de euros, bem como o facto de 54% dos contratos analisados terem sido feitos por ajuste direto e com convites a uma única entidade.

Nas últimas eleições autárquicas, Almada foi um dos nove municípios da CDU perdidos para o PS, que candidatou à presidência da autarquia a antiga deputada Inês de Medeiros.

Num comunicado enviado entretanto às redações, o Ministério das Finanças esclareceu que “a Inspeção-Geral de Finanças (IGF) é um serviço do Ministério das Finanças integrado na administração direta do Estado, dotado de autonomia administrativa, que funciona na direta dependência do Ministro das Finanças”.

No entanto, as competências que o Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais tinha na anterior legislatura no que diz respeito ao IGF eram “no âmbito do controlo da receita tributária e de outros assuntos de natureza fiscal e aduaneira”. No caso concreto das autarquias locais, o Inspeção-Geral das Finanças responde ainda ao Ministro da Administração Interna, numa cooperação de competências.

NOTA: (Notícia atualizada às 20:41 com o comunicado enviado pelo Ministério das Finanças às redações)