Em 2016/17, na temporada em que o Benfica se tornou tetracampeão nacional, os adeptos encarnados cantavam nas bancadas: “Dá-me o 36”. Ora, este 36 era o 36.º título nacional da história dos encarnados. No ano seguinte, ano em que o FC Porto evitou o penta da equipa que na altura era orientada por Rui Vitória, os adeptos pediram o 37 — pedido que estenderam até à época passada, ano da reconquista, e que Bruno Lage concedeu ao tornar o Benfica novamente campeão nacional. Esta temporada, como não podia deixar de ser, os adeptos encarnados pedem o 38.

Ora, 38 é também o intervalo de minutos — apenas 38 — que Carlos Vinícius demora a marcar um golo na Primeira Liga. Com o bis desta quarta-feira perante o Portimonense, o avançado brasileiro estabeleceu essa marca impressionante e chegou aos seis golos em 10 jogos, para além de ter marcado novamente dois golos num dia em que foi titular (já o tinha feito com o Cova da Piedade, para a Taça de Portugal). Além disso, o Benfica somou quatro vitórias consecutivas pela primeira vez esta temporada, chegou à liderança isolada da Primeira Liga e é já o melhor ataque do Campeonato (21 golos marcados), a melhor defesa (três golos sofridos) e a equipa com mais vitórias (oito). Estes três golos sofridos — dois do FC Porto, um do Moreirense — são mesmo a melhor média dos últimos 28 anos.

No dia em que chegou à 15.ª goleada desde que está no comando técnico do Benfica e à quinta só esta temporada, Bruno Lage afastou a pergunta sobre o empate do FC Porto e garantiu que a “notícia da noite” é o “bom jogo” dos encarnados. “É para isso que olhamos. Foi o que fizemos, uma exibição com paciência. O Portimonense tem qualidade, nada que justifique a sua posição na tabela. Obrigou-nos, com este sistema, a ter paciência. Foi o que fizemos. O primeiro golo deu-nos ainda mais confiança, depois uma reentrada muito forte e a seguir o jogo ficou a nossa favor. Vitória justa com boa exibição”, acrescentou Lage, que diz que o próximo passo é já pensar na próxima partida, novamente na Luz, com o Rio Ave.

“É importante estarmos ligados emocionalmente, o ambiente fantástico que se viveu hoje [quarta-feira], como em Tondela, com os adeptos a apoiarem do princípio ao fim. Esse é o papel do adepto, que esteve presente. Assim a equipa sente que há confiança. Os adeptos têm de puxar pela equipa e ela pelos adeptos, para sermos apenas um e no final sermos julgados. De dois em dois dias vamos a julgamento, que é o nosso trabalho. Esta equipa trabalha muito. Este é o caminho”, concluiu o treinador do Benfica.