A situação dos direitos dos uigures no Xinjiang dividiu os Estados participantes na reunião da comissão da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada na terça-feira, motivando dois comunicados diametralmente opostos.

De um lado, um grupo de 54 países, por iniciativa da Bielorrússia, saudou “positivamente os resultados do contraterrorismo e desradicalização” alcançados pela China no Xinjiang, enquanto outros 23 estados, centrados no Reino Unido, solicitaram a Pequim que respeite a liberdade de religião.

O confronto decorreu na reunião da terceira comissão da ONU, que multiplica as sessões sobre este tema todos os anos, entre outubro e dezembro.

Entre os 54 Estados que apoiaram o texto apresentado pela Bielorrússia estão Federação Russa, Paquistão, Egito, Bolívia, República Democrática do Congo e Sérvia.

“Saudamos as realizações notáveis da China no domínio dos direitos humanos com a sua filosofia do desenvolvimento centrado no ser humano”, sublinhou-se na declaração bielorrussa.

“Apreciamos igualmente as contribuições da China à causa internacional dos direitos humanos”, acrescentou-se neste texto distribuído à comunicação social na ONU.

Esta declaração criticou a “politização” da questão dos direitos humanos na ONU e insurge-se contra a denúncia e a pressão exercida sobre outros Estados.

Já o texto britânico, apoiado por EUA, Alemanha, França e outros países europeus, bem como por Canadá, Japão e Nova Zelândia, denunciou, pelo contrário, as “informações credíveis” sobre as “detenções massivas, os esforços para limitar as práticas culturais e religiosas, a vigilância massiva e desproporcionada dos uigures, bem como as violações e abusos cometidos na região uigure autónoma do Xinjiang”.

No texto britânico acrescentou-se que “o Governo chinês deve urgentemente (…) abster-se de fazer detenções arbitrárias dos Uigures e dos membros de outras comunidades muçulmanas”, conforme a apresentação feita pela embaixadora dos Reino Unidos na ONU, ladeada pelos homólogos norte-americano e alemão.

A etnia uigure, maioritariamente muçulmana, constitui a principal população do Xinjiang. Esta vasta região do noroeste chinês tem sido abalada por atentados cometidos por militantes uigures e está sujeita a um controlo policial drástico.

Segundo as organizações de defesa dos direitos humanos, um milhão de muçulmanos estão ou estiveram detidos em campos de reeducação política no Xinjiang. Pequim contesta o número e contrapõe a designação “centros de formação profissional” para designar as estruturas em causa.