Luís Campos e Cunha, ex-ministro das Finanças do Governo de José Sócrates, volta a afirmar que saiu do Executivo devido às pressões do ex-primeiro-ministro para que demitisse a então administração da Caixa Geral de Depósitos (CGD) e nomeasse Armando Vara, noticia o Jornal Económico. A reação surge depois de José Sócrates ter voltado a alegar, perante o juiz Ivo Rosa, que Campos e Cunha teria sido obrigado a demitir-se porque não concordava com uma medida do Governo que lhe iria reduzir os rendimentos.

O ex-ministro das Finanças diz que a primeira carta com o pedido de demissão, datada de maio de 2005, foi enviada a Sócrates ainda antes desta alteração da lei. A carta não terá sido arquivada na Presidência do Conselho de Ministros, como é suposto, e o original foi encontrado durante as buscas à residência de Sócrates no âmbito da Operação Marquês.

No espaço de dois meses, Luís Campos e Cunha enviou quatro cartas com pedidos de demissão a José Sócrates. A última carta, de 18 de julho de 2005, foi revelada pelo Expresso em maio deste ano e fala não só da CGD, mas também do TGV. Campos e Cunha diz que não demitiu a administração da CGD e que esta terá sido demitida, por outra pessoa, após a sua saída.

Sócrates e Vara são suspeitos de terem ajudado o grupo de investidores Vale do Lobo a conseguir a aprovação de um financiamento de 200 milhões de euros na CGD. Por isso, cada um deles terá recebido um milhão de euros.

Corrigido: a suspeita que recai sobre Sócrates e Vara em relação à CGD e grupo Vale do Lobo