“Vitalina Varela”

É tudo muito escuro, miserável, desgraçado e sofrido em “Vitalina Varela”, de Pedro Costa, que sucede a “Cavalo Dinheiro”, do qual a cabo-verdiana do título sai agora para primeiro plano. O marido morreu em Portugal sem nunca lhe ter mandado o prometido bilhete de avião, desde que há 25 anos veio trabalhar para Lisboa, e agora Vitalina faz a viagem, chegando atrasada para o funeral e instalando-se na precária barraca do bairro suburbano onde aquele vivia. Costa continua a rodar em circuito fechado, movimentando-se nos mesmos limitados, degradados e sombrios cenários, seguindo as mesmas solitárias, sofredoras, estóicas e inexpressivas personagens (lá está o imprescindível Ventura) nas suas andanças de “zombies”, gerando filmes em que quase nada acontece e a câmara em “rigor mortis” se deleita no miserabilismo minucioso e na estética da desdita. Há quem jure, bata no peito e faça profissão de fé por Pedro Costa e pelo seu cinema (“Vitalina Varela” ganhou o Festival de Locarno e a intérprete o prémio de Melhor Atriz). Eu sou ateu militante.

“Doutor Sono”

Stephen King publicou “Doutor Sono”, a continuação de “The Shining” (filmado em 1980 por Stanley Kubrick), em 2013. No livro, Danny Torrance, agora adulto, para sempre marcado pelos acontecimentos daquele Inverno de terror passado no Overlook Hotel, e de posse dos seus poderes paranormais, que não quer mais usar, tem que proteger Abra Stone, uma adolescente com dons como os seus, da seita True Knot, cujos membros se alimentam do “shining” dos mais jovens, procurando tornar-se imortais. A seita é liderada pela implacável e poderosa Rose the Hat, que vai obrigar Danny a confrontar-se com os horrores da sua infância e a voltar ao hotel assombrado. Ewan McGregor interpreta Danny Torrance nesta fita assinada por Mike Flanagan, que utiliza excertos da de Kubrick na narrativa. McGregor é acompanhado por Kyliegh Curran no papel de Abra e por Rebecca Ferguson como Rose the Hat. (“Doutor Sono” foi mostrado à imprensa tarde demais para poder ser feita a respetiva crítica.)

“Exterminador Implacável — Destino Sombrio”

Realizado por Tim Miller (“Deadpool”), “Exterminador Implacável — Destino Sombrio” pega onde “Exterminador Implacável 2: O Dia do Julgamento” ficou e é uma repetição, com pequenas alterações, da história do filme original, “O Exterminador Implacável” (1984). Dani, uma jovem mexicana (Natalia Reyes) é perseguida por um novo ciborgue assassino (Gabriel Luna) saído do futuro para a matar, porque a sua existência poderá alterar esse novo futuro em que os robôs dizimaram a humanidade (e no qual a Skynet é agora conhecida por Legião). Dani é protegida por Grace (Mackenzie Davies), também vinda do futuro, e meio humana, meio ciborgue. Sarah Connor (Linda Hamilton), transformada em exterminadora não-oficial de Exterminadores, intromete-se na história, bem como o Modelo T-800 interpretado por Arnold Schwarzenegger, agora “humanizado”. “Exterminador Implacável — Destino Sombrio” foi escolhido como filme da semana pelo Observador e pode ler a crítica aqui.