O tempo para treinar não é muito. Para descansar, idem. E para andar de mala às costas a viajar, que remédio. O grande objetivo do Flamengo a curto prazo foi alcançando, com a qualificação para a segunda final da história da Taça dos Libertadores após uma goleada das antigas frente ao Grémio. No entanto, e com o jogo decisivo marcado apenas para 23 de novembro, as atenções centram-se agora em exclusivo no Campeonato. Até porque todas as atenções do Campeonato estão centradas no Flamengo e em Jorge Jesus, a grande sensação do Brasil.

Ser centro das atenções tem coisas boas. E traz elogios – muitos e cada vez mais, de variados quadrantes. Mas traz também coisas más, como o episódio que aconteceu na véspera do encontro entre Goiás e Flamengo: no habitual estágio numa unidade hoteleira em Goiânia, a noite acabou por ficar marcada pelo rebentamento de petardos e o lançamento de fogo de artifício, que perturbou o sono da comitiva do conjunto do Rio de Janeiro. Perturbou mas podia ser motivo de festa até que uma expulsão nos instantes finais travou o conjunto visitante (2-2).

Há três meses e meio, Jorge Jesus estreava-se para o Campeonato no Maracanã recebendo o adversário da noite desta quinta-feira, o Goiás. E houve festival, com uma goleada por 6-1 que antecedeu aquele que seria o grande revés até ao momento do técnico brasileiro, quando foi eliminado nas grandes penalidades da Taça do Brasil com o Athl. Paranaense. A seguir, após alguma contestação dos adeptos no aeroporto, seguiu-se um empate em São Paulo com o Corinthians (1-1), um triunfo apertado com o Botafogo (3-2) e uma pesada derrota fora com o Bahia (3-0). E depois? 15 jogos, 14 vitórias e um empate (0-0, São Paulo) e dez pontos de avanço sobre o Palmeiras, que passaram esta noite a apenas oito a nove rondas do fim depois de nova igualdade consentida em Goiânia.

“Hoje, o sistema todo foi o Jorge [Jesus] que implementou, desde a sua chegada. Até porque, no começo, tivemos 15 ou 20 dias da [pausa da] Copa América. Ele conseguiu trabalhar, não da maneira que ele queria, pois não teve muito tempo. É difícil, com o calendário apertado, ajustar a forma defensiva de uma equipa jogar. No início podem existir erros que, às vezes, dão golos. Mas ele é uma pessoa que está sempre à procura da perfeição”, justificou esta semana o guarda-redes Diego Alves, numa entrevista ao programa “Bem, Amigos” da SportTV.

“Vemos muitos vídeos, estamos sempre bem posicionados. Uma das coisas que acho importante é que cada jogador, quando está numa função diferente da que está habituado, sabe o que tem que ser feito. Isso é um grande achado do Jorge [Jesus]. Ele assusta com a parte tática, porque é um treinador que está sempre em busca da perfeição. Por mais que ganhe, no outro dia vamos ver o vídeo e saber o que tem que ser feito, vamos saber o que errámos… Facilita bastante saber o que temos de fazer dentro e os resultados estão a aparecer”, acrescentou.

Diego Alves, experiente guarda-redes que se estreou como sénior no Atl. Mineiro antes de passar dez anos a jogar em Espanha (Almería e Valencia), foi uma das grandes ausências nas opções de Jorge Jesus frente ao Goiás por um problema no joelho, além de Rafinha e Gerson que começaram no banco por uma aparente questão de “gestão” de minutos nesta fase mais densa do calendário. Mas nem isso quebrou a entrada mais forte do Flamengo, apostado em conseguir adiantar-se logo nos minutos iniciais e que ficou muito perto desse objetivo: Everton Ribeiro marcou o canto na direita, Pablo Marí apareceu mais rápido ao primeiro poste mas acertou no ferro (6′).

Com o passar dos minutos, e entre um duelo muito interessante também nas bancadas com duas torcidas a darem espetáculo, o Goiás conseguiu equilibrar e teve mesmo os remates seguintes como um muito perto da trave de César por Yago Rocha (16′). À passagem da meia hora, Fábio Sanches, no seguimento de uma bola parada, voltou a deixar um aviso à baliza do Flamengo mas seria Gabriel Barbosa a ter a última oportunidade antes do intervalo, bem travada por Tadeu perante o pouco ângulo do internacional brasileiro na área.

No segundo tempo, um segundo tempo que adeptos com bilhete não conseguiram ver porque a entrada foi vetada face à lotação esgotada (só do Flamengo eram 20 mil…), os visitantes conseguiram colocar-se em vantagem e de forma confortável no resultado na sequência de dois lances de estratégia iniciados em cantos marcados por Everton Ribeiro na direita e que culminaram com golos de Gabriel Barbosa e Rodrigo Caio. Tudo parecia decidido mas um golo de Rafael Moura (77′) e a expulsão de César, o substituto de Diego Alves, após um pontapé despropositado num adversário fora da área (88′), deixaram tudo em aberto até aos últimos minutos de descontos, altura em que Michael foi bem lançado em profundidade e fez o 2-2 perante Gabriel no quarto minuto de compensação.