Este 1 de novembro marca a chegada de um novo serviço de streaming de televisão. Não, ainda não é o Disney+, que continua sem data anunciada para Portugal. É o Apple TV+ que é lançado em mais de cem países. O serviço custa 4,99 euros por mês (com um período experimental de sete dias). Se tiver comprado um dispositivo da Apple a depois de 10 de setembro, terá direito a um ano de acesso gratuito.

O que é a Apple TV+? Ao contrário de outros serviços de subscrição, o serviço de streaming da Apple está mais preocupado em ter propostas exclusivas do que em ser agregador de conteúdos externos. Ou seja, quer ter os melhores dos melhores e já pôs muito dinheiro em jogo para isso acontecer. O plano é fazer vencer pela qualidade e não pela quantidade, de forma a ser uma espécie de HBO de viragem do século, mas na era do streaming. Ao todo, serão nove programas (um deles com Oprah Winfrey) que se estreiam com o serviço, uma aposta em diversos géneros e em nomes de qualidade e que querem comunicar com o público de forma abrangente — ou pelo menos assim espera a companhia americana.

O Apple TV+ estará disponível nos produtos da Apple e poderá ser acedido através da Apple TV App. É também suportado por alguns modelos de Smart TV e, claro, é sempre possível subscrever fora dos serviços da Apple através de uma página online (como acontece, por exemplo, com a Netflix ou a Amazon Prime). Por enquanto, a biblioteca de títulos ainda é pequena e está longe de se equiparar com a das rivais, mas todos os meses serão lançados conteúdos novos – séries, filmes, documentários. Até ao momento há pouca informação sobre o que ainda estará para vir. Mas já sabemos que cada série terá três episódios disponíveis no momento da estreia e a cada semana será apresentado um novo, neste que é mais um concorrente a entrar no mercado do streaming (que em Portugal conta também, além dos já mencionados, com serviços como o da NOS Play ou a Fox Play).

“The Morning Show”

Tem sido a bandeira principal para promover o Apple TV+. A história de “The Morning Show” gira em volta de um programa noticioso que passa nas manhãs da televisão americano, filmado em Manhattan. Marca o regresso de Steve Carell à televisão mas a série é encabeçada por duas mulheres, Jennifer Aniston e Reese Witherspoon, que também são produtoras da série. Os nomes do elenco são os grandes aperitivos desta produção, mas os números do orçamento também impressionam: 215 milhões de dólares para pagar duas temporadas. As primeiras críticas não têm mostrado grande entusisamo.

“Dickinson”

A cara de Hailee Steinfeld pode causar a impressão de que “Dickinson” será uma série sobre adolescentes. E até poderá ser, dado o passado de Steinfeld, que foi feito sobretudo seguindo a premissa “atriz-criança” cultivada pela indústria americana desde há décadas. Mas a premissa é uma história em volta de uma jovem Emily Dickinson. Biográfico? Um bocadinho, mas não muito. Amanhã ficar-se-á a saber se o mundo precisava de uma série histórica com um travo a adolescência.

“For All Mankind”

Pegando na premissa de apanhar “os melhores dos melhores”, a Apple TV+ agarrou Ronald D. Moore para contar uma história sobre a corrida espacial. Se não sabe quem é Ronald D. Moore, fique a saber que é responsável por uma das melhores séries deste século, o remake de “Battlestar Galactica”. Ele sabe uma ou duas coisas sobre como contar histórias que acontecem no espaço. Esta não é de ficção científica, mas ele certamente irá contar como se fosse.

“See”

O que seria de um arranque sem uma série apocalíptica? “See” cumpre esse requisito e tem como ator principal Jason Momoa, que ainda continua a lucrar com o seu look Khal Drogo de “Guerra dos Tronos”. No futuro de “See”, o mundo revela os efeitos de um cataclismo que fez a humanidade voltar uns anos para atrás e as pessoas perderam a habilidade de ver. Exceto, claro, Jason Momoa. Por falar em ver: quem já passou os olhos pela série não foi muito generoso nas palavras.

“The Elephant Queen”

Um serviço destes tem de arrancar com um documentário. E se for em volta da mãe natureza, é tiro na mouche. Realizado por Victoria Stone e Mark Deeble, “The Elephant Queen” é uma viagem até à savana africana e ao percurso de uma mãe que tem de viajar quilómetros à procura de água. A série foi rodada durante sete anos e mais do que mostrar os elefantes enquanto vítimas da ação humana (ainda que não fuja dessa verdade), pretende revelar as características que tornam estes animais únicos.

“Oprah’s Book Club”

É uma espécie de spinoff de algo que já existia no seu “The Oprah Winfrey Show” que terminou em 2011. “Oprah’s Book Club” tem tudo no seu título, será um programa onde a apresentadora falará de livros. As suas recomendações são sempre garantia de um lugar no top das livrarias. E mesmo depois do final do programa a que deu nome, Oprah continuou a dar sugestões literárias através do OWN, o seu canal de cabo, e da revista “O”. Na Apple TV+, Oprah vai entrevistar o autor do livro que sugere e haverá um episódio novo a cada dois meses. Este é o primeiro resultado de uma parceria que resultará em mais conteúdos:

“Helpsters”

Os mais novos também não ficaram esquecidos e, é claro, a Apple foi inspirar-se nos melhores dos melhores: “Helpsters” é um spinoff de “Rua Sésamo”. Conta a história de um grupo de monstros que gosta de ajudar as pessoas a resolver problemas. O trailer não explica com detalhe que tipo de questões estes seres vão ter de enfrentar, mas mostra, isso sim, que o segredo vai estar todo na personalidade das personagens.

“Snoopy in Space”

Se a Apple TV+ arranca com uma série sobre o espaço, o que poderia haver de melhor do que complementar isso com uma série sobre Snoopy fora do pkaneta? É isso, Snoopy cumpre um sonho de longa data e torna-se num astronauta e vai para o infinito e mais além. Esteja descansado, Charlie Brown e o resto dos Peanuts não ficaram esquecidos. Como é que isto aconteceu? Simples: todo o gangue foi de visita à NASA num excursão da escola e acabaram por ser escolhidos como tripulantes de uma missão de elite.

“Ghostwriter”

Não, não é uma aventura literária sobre alguém que escreve no lugar de um autor que na verdade não teve que mexer uma palha. “Ghostwriter” é uma série para adolescentes sobre um grupo de quatro jovens que têm um amigo fantasma e que partem em aventuras muito educativas. É um remake de uma série que foi relativamente popular nos anos 1990. Nesta nova versão, e de acordo com a a informação disponibilizada pela Apple, a história é a de quatro crianças que se juntam numa livraria, num encontro organizado por um misterioso fantasma, quatro garotos que vão ter de formar uma equipa a fim de libertar umas quantas personagens que estão presas em obras literárias. Será mais ou menos isto.

*Artigo atualizado com correção da data da oferta da subscrição de um ano