Durante o verão, a saída de Nélson Semedo do Barcelona esteve permanentemente em cima da mesa. Os jornais espanhóis garantiram, durante várias semanas, que o lateral português estava descontente com os factos de estar a dividir minutos com Sergi Roberto na direita da defesa, de não ser opção indiscutível para Ernesto Valverde e de não ter a preponderância desejada no onze inicial. Tudo isto, aliado a um interesse palpável do Atl. Madrid e da Juventus, deixavam Semedo na porta de saída — uma saída que o Barcelona só aceitava em troca de 50 milhões de euros.

A intransigência do clube espanhol, que acabou por vencer esta batalha e garantir a permanência do lateral na Catalunha, devia-se ao facto de Valverde olhar para o português como uma solução de futuro, um jogador com margem de progressão que poderia tornar-se importante nos próximos anos e cuja manutenção em Barcelona ainda poderia garantir muitas alegrias. Por esta altura, no final de outubro, Nélson Semedo estará agradecido à teimosia do clube.

No início de novembro, entre liga espanhola e Liga dos Campeões, o jogador português é um de apenas três jogadores do clube que marcaram presença em todos os jogos (os outros são o guarda-redes Ter Stegen e Frenkie De Jong). Numa fase da temporada em que os jornais espanhóis garantem que o Barcelona já negoceia a renovação com o jogador português face às boas exibições desde o início da temporada — e depois de já ter conquistado a titularidade na Seleção Nacional, também graças à pouca utilização de João Cancelo no Manchester City –, Nélson Semedo foi um dos melhores na primeira parte contra o Levante, este sábado, onde o fluxo ofensivo catalão deixou muito a desejar, e sofreu a grande penalidade que foi convertida por Lionel Messi e que garantiu a vantagem que o Barcelona levou para o intervalo (38′).

Na segunda parte, já sem Luis Suárez, que saiu lesionado nos últimos instantes do primeiro tempo, a equipa de Valverde regressou a apresentar os mesmos serviços mínimos que tinha deixado em campo nos 45 minutos iniciais. As poupanças do treinador, já a pensar no jogo da Liga dos Campeões a meio da semana com o Slavia Praga, deixavam Busquets, Rakitic e Jordi Alba no banco de suplentes — a ausência deste último do onze, porém, só reiterou a confiança em Nélson Semedo, já que o jogador deixou a direita e atuou na esquerda no lugar de Alba, demonstrando polivalência — e retiravam criatividade e qualidade à dinâmica da equipa. A crescente subida de rendimento do Levante na segunda parte, aliada a um adormecimento do Barcelona, acabou por culminar no golo do empate, por volta da hora de jogo, por intermédio de Campaña (61′).

Borja Mayoral, que está emprestado pelo Real Madrid ao Levante, marcou o segundo golo da equipa

O golo sofrido, mais do que motivar uma reação por parte de uma equipa supostamente preparada e consolidada, provocou o descontrolo total do conjunto de Ernesto Valverde, que apenas dois minutos depois de sofrer o empate viu Borja Mayoral — emprestado pelo Real Madrid ao Levante — confirmar a reviravolta com um grande remate (63′). Sem o discernimento suficiente para ir à procura do empate ou sequer da vitória, o Barcelona viu Busquets e Ansu Fati entrarem para os lugares de Vidal e Arthur para obter solidez no meio-campo e poder de fogo no ataque. A partida, ainda assim, estava tal e qual como o Levante queria: quezilenta, com muitas faltas, sem organização e totalmente partida, aberta a transições rápidas e superioridades numéricas. A conjugação de todos estes fatores abriu espaço ao surpreendente terceiro golo, que praticamente afastou o Barcelona dos destinos do jogo, através de Radoja (68′), e Messi ainda bisou mas o lance foi anulado por fora de jogo de Griezmann no início da jogada.

O Barcelona foi a Levante perder e interromper uma série de sete jogos seguidos a vencer para todas as competições, ficando agora com a liderança em risco, já que o Real Madrid passa para o primeiro lugar da liga espanhola se vencer o Betis ainda este sábado. Nélson Semedo, que foi um dos melhores dos catalães em todo o jogo, sofreu a grande penalidade que deu o primeiro golo, foi uma das escassas unidades que procurou avançar já em desvantagem mas não conseguiu evitar que o castelo de cartas de Ernesto Valverde desmoronasse.