A mais recente sondagem da SocioMétrica para o jornal El Espanhol dá o PSOE (partido socialista espanhol) a vencer as eleições do dia 10, mas a ficar muito longe da maioria absoluta, ficando-se pelos 110 a 119 deputados (são preciso 176 deputados para a maioria); dá o PP com 93 a 100 deputados e, como terceira força aparece o partido da extrema-direita, o Vox, a conseguir desta vez 42 a 48 mandatos, mais do dobro do que teve nas eleições de abril. A confirmar-se esta votação, a extrema-direita ganha cada vez mais força no Parlamento espanhol. Esta segunda-feira, há debate televisivo entre as cinco principais forças.

O Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) venceu as eleições espanholas, a 28 de abril, mas não podia governar sozinho, uma vez que não alcançou a maioria absoluta (conseguiu eleger 123 deputados). Este resultado obrigava-o a uma negociação com outros partidos para formar governo, algo que não aconteceu. Quando o rei Felipe VI não indigitou nenhum candidato, Pedro Sánchez culpou os partidos da oposição e lamentou que não tenha sido possível chegar a um acordo de governação. “Tentei tudo, mas não me deixaram”, garantiu, dizendo que “não há bases suficientes para pôr em marcha uma investidura que vai falhar”.

De acordo com a Constituição espanhola, o parlamento é dissolvido — e novas eleições convocadas — quando tiverem passado “dois meses a partir da primeira votação da investidura”. Essa primeira tentativa foi feita a 23 de julho, o que significa que o prazo acabava a 23 de setembro, se nenhum candidato conseguisse a confiança do parlamento. Só nessa altura, diz a lei fundamental de Espanha, “o rei dissolverá ambas as Câmaras e convocará novas eleições”.

A avaliar pelo cenário pintado pelas últimas sondagens (esta segunda-feira é o último dia possível para divulgar sondagens, segundo a lei eleitoral espanhola), o impasse vai-se manter. A seguir ao PSOE, PP e Vox, aparece o Unidas Podemos, de Pablo Iglesias, com um intervalo entre 36 a 40 mandatos, e o Ciudadanos a descer, com 15 a 18 deputados (tinha conquistado 57 deputados em abril).

Apesar de, há uma semana, o PP parecer estar a estreitar a sua distância face aos socialistas, esta nova sondagem mostra o Partido Popular de Pablo Casado a lutar pelos 100 deputados (em abril tiveram 66), e o PSOE de Pedro Sanchez a reduzir face ao que obteve nas eleições passadas (123 deputados). A explicação pode estar no facto de o partido de esquerda Unidas Podemos estar a crescer nos últimos dias, podendo chegar aos 40 deputados, e roubando assim uma fatia aos socialistas. Também o recém-formado partido Más País, que se apresenta pela primeira vez a eleições, pode conquistar 1 a 3 assentos, o que também morde o eleitorado socialista.

Em queda está o Ciudadanos, que, a avaliar pela sondagem, passa de terceira força para quinta, sendo largamente ultrapassado pelo Vox de Santiago Abascal.

O problema da governação, contudo, ameaça manter-se: os partidos do centro-esquerda, juntos, teriam menos mandatos do que em abril (passavam de 165 para 155), e só um grande bloco central do PSOE com o PP, e até com o Ciudadanos, somaria os mandatos suficientes para uma maioria absoluta, mas mesmo essa soma seria agora menor do que em abril. Ou isso, ou uma aliança múltipla do PSOE com toda a esquerda e os independentistas.

Problema: a investidura de Sanchez seria ainda mais difícil com estes resultados previstos, já que o PSOE perderia mandatos, o PP consolidar-se-ia como alternativa e qualquer abstenção do PP serviria para Abascal, do Vox, chamar para si o papel de líder da oposição. Ou seja, Sánchez ficaria dependente do apoio dos nacionalistas e independentistas, ou de uma abstenção do PP para evitar outra repetição eleitoral.