Este domingo, contra o Desp. Aves, mais do que jogar bem, impressionar ou ser dominante, o FC Porto precisava de regressar às vitórias. Precisava de afastar o empate na Madeira, de não permitir que a diferença para o Benfica se estendesse e de garantir uma bolha de oxigénio antes da visita à Escócia e ao Rangers a meio da semana para a Liga Europa. Ao entrar no relvado do Dragão, os jogadores do FC Porto tinham como foco único, objetivo e linear a conquista dos três pontos.

Ao fim de 90 minutos, os três pontos ficaram mesmo no Porto e a distância do primeiro para o segundo classificado mantém-se nos dois pontos. Mas foi só mesmo isso que ficou no Porto este domingo: a equipa de Sérgio Conceição ganhou pela margem mínima, com serviços mínimos e a mostrar o mínimo de qualidade presente no plantel. Na hora do apito final, mesmo com a vitória garantida perante o último classificado, as bancadas do Dragão uniram-se num assobio único à exibição da equipa — que já tinha aparecido nos últimos instantes da primeira parte, quando Marcano pediu apoio aos adeptos.

Sérgio Conceição, que voltou a deixar Alex Telles no banco, Marega fora dos convocados e ainda surpreendeu ao tirar Uribe do onze inicial, pediu aos jogadores que depois da habitual roda que a equipa faz no fim dos jogos fossem cumprimentar os poucos adeptos que ainda estavam no estádio, numa altura em que chovia intensamente. Danilo, o capitão que tomou a palavra na roda, pareceu lembrar aos colegas que o mais importante — a vitória — tinha sido alcançado.

A vitória magra, porém, garantiu que o FC Porto continue a ser uma de apenas duas equipas nas sete principais ligas europeias que ainda não sofreu golos em casa esta temporada (a outra é o V. Setúbal). Na flash interview, tal como Danilo fez na roda, Sérgio Conceição lembrou que “o mais importante é sempre o resultado”. “Das boas exibições as pessoas não se lembram. O que fica para a história é o resultado. É claro que queremos sempre uma dinâmica positiva, criar oportunidades, mas nos últimos três jogos quantas criámos? Se calhar umas 20 oportunidades. Hoje em dia não há jogos fáceis. Lembro-me de ver muitos jogos do FC Porto, nos últimos anos, em que a equipa criava uma ou duas ocasiões por jogo. É melhor ser um rolo compressor, mas também temos de dar mérito ao adversário. Por vezes complicámos o que era fácil, mas fizemos um golo e podíamos ampliar”, defendeu o treinador.

Sobre os assobios à equipa, o técnico reconheceu que existe um “ambiente de desconfiança” e que isso “não é bom para os jogadores”. “Deixo uma palavra para os adeptos que foram sempre o 12.º jogador, desde que cá estou. Estamos em todas as frentes, estamos na luta e vamos dar uma boa resposta. Os jogadores têm de estar preparados para a pressão e a exigência. Haverá dias em que as coisas não saem como queremos. Nessa altura precisámos de estar juntos, porque juntos somos muito fortes. As pessoas têm de entender isso. Aqui não há Sérgio Conceição, António, Manuel ou Joaquim, há o FC Porto. Demos sempre uma boa resposta à altura do FC Porto, tanto no Campeonato como na Champions, e este ano vamos fazer isso também”, concluiu Sérgio Conceição.