As portas estão fechadas e os jornalistas — ou quem não tem um cartão da Web Summit ao pescoço — não podem entrar no Campus da Universidade Nova de Lisboa, em Carcavelos (Cascais). Foi assim que começou esta manhã o “The Gathering”, o evento secreto pré-Web Summit só para empreendedores promissores conhecerem investidores que poderão ajudá-los a arrancar o seu negócio. O networking (fazer contactos para fins profissionais) começou no sábado e termina na segunda-feira.

Como explicou ao Observador Miguel Pinto Luz, vice-presidente da Câmara de Cascais (e candidato à liderança do PSD), o The Gathering é “sinal de que Cascais continua a atrair os eventos mais especiais”. Para o autarca, este evento permite que “toda a gente se sinta completamente à vontade para dizer tudo aquilo que sente e quer para o futuro do mundo e da humanidade”.

Não temos um espaço para fazer os grandes grandes eventos. Lisboa funciona para esses grandes eventos. Estes pequenos eventos, que trazem e aportam um grande valor acrescentado, esses, o local indicado e o único possível é Cascais. É por isso que vimos com enorme satisfação que Paddy e a organização da Web Summit escolheram Cascais para esta organização do The Gathering”, conta Miguel Pinto Luz.

O secretismo, ou sigilo do The Gathering, foi a bandeira utilizada pela Web Summit para juntar dezenas de empreendedores e investidores este fim de semana em Cascais, antes de arrancar o evento principal, mas houve 10 minutos para perguntas a jornalistas nesta manhã de domingo. À porta da Universidade Nova de Carcavelos (e ao pé de Miguel Pinto Luz), estiveram também Artur Pereira, responsável da organização da Web Summit para Portugal, e Paddy Cosgrave, o fundador e presidente executivo do evento. Sem abrir o véu sobre o que foi falado, Cosgrave ficou-se por respostas simples, como: “A tecnologia esta cada vez mais política, as pessoas estão muito focadas no impacto negativo, como todas as empresas. E a Web Summit é exemplo disso”.

Miguel Pinto Luz, vice-presidente da Câmara de Cascais, foi um dos responsáveis pelo The Gathering

Miguel Pinto Luz, vice-presidente da Câmara de Cascais, foi um dos responsáveis pelo The Gathering

Ironicamente, enquanto Paddy usava uma das frases chavão dos últimos anos — “Portugal é a Califórnia da Europa” — chovia à porta do Campus da Nova de Carcavelos (onde decorria a curta conferência de imprensa). Mesmo assim, referiu que, desde este sábado, houve oportunidade para dezenas de empreendedores falarem com executivos e investidores presentes neste “The Gathering” (em português significa “reunião/encontro” mais reservado) e que Portugal é cada vez mais cativante para empresas.

Sobre o secretismo do evento, Miguel Pinto Luz adiantou que é uma imposição de Paddy Cosgrave. Contudo, o social-democrata deu uma explicação: “Os negócios que são fechados, as relações que são criadas, as redes que são alimentadas, penso que é dentro desse ambiente de algum secretismo, até para salvaguardar informação de negócio, informação de mercado que possa ser relevante”.

O The Gathering termina esta segunda-feira, mesmo antes de arrancar em Lisboa a edição de 2019 da Web Summit. A Web Summit é a maior feira de empreendedorismo e tecnologia da Europa e vai decorrer entre 4 e 7 de novembro, na FIL e na Altice Arena, em Lisboa. Entre os oradores confirmados estão nomes como Brad Smith, responsável jurídico e presidente da Microsoft, Guo Ping, chairman da Huawei, Tony Blair, ex-primeiro-ministro britânico, e a comissária europeia Margrethe Vestager. O evento já esgotou e conta com mais de 70 mil participantes.