O futuro das bibliotecas públicas portuguesas passa por garantir que se mantêm como equipamentos “em que continua a ser necessário investir”, afirmou esta segunda-feira o diretor de Serviços de Bibliotecas, da Direção-Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas (DGLAB).

Em Leiria, onde decorre o 15.º Encontro Nacional da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas, Bruno Duarte Eiras disse à agência Lusa que as bibliotecas continuam a ser necessárias: “Precisamos sempre de bibliotecas. Não são o mesmo que eram há cinco, dez, 30 anos, quando começou a Rede Nacional de Bibliotecas Públicas. Mas elas servem necessidades diferentes da população e dão resposta a públicos diferentes. Continuamos claramente a precisar delas”.

Para o responsável da DGLAB há, contudo, que “garantir que todas as entidades que contribuem para o financiamento das bibliotecas públicas” entendam que estas são um equipamento cultural, social, lúdico e de lazer “em que continua a ser necessário investir”.

“Esse é o maior desafio externo”, reconheceu Bruno Duarte Eiras, assumindo que, num país com 303 bibliotecas públicas — apenas cinco concelhos não têm — é “um desafio tentar garantir o apoio e manter a relevância destes equipamentos junto de quem decide”.

“Somos uma peça-chave, ainda que às vezes não nos reconheçam esse papel, para constituir e fortalecer comunidades”, defende o diretor de Serviços de Bibliotecas da DGLAB, lembrando que as bibliotecas públicas são “dos últimos, senão o último, espaço público gratuito em Portugal”, algo que “hoje seria proibido criar”.

“É possível imaginar que hoje fosse criado um espaço em que era possível utilizar sem pagar nada, em que era possível levar documentos emprestados para casa com o compromisso de os devolver, de forma totalmente gratuita? Hoje seria proibido criar um serviço público com estas características”, afirmou.

Apesar disso, durante o encontro de Leiria foi comunicado publicamente que há dois casos em Portugal de bibliotecas públicas que cobram anuidade aos utilizadores.

Bruno Duarte Eiras não quis revelar que bibliotecas são, mas assumiu que a situação “preocupa” a DGLAB: “Não compartilhamos desta ideia. Na DGLAB consideramos que o serviço da biblioteca público deve ser gratuito. Estamos em contacto com os municípios porque queremos perceber o que os levou a tomar essa atitude”.

Afastado das bibliotecas nacionais está o espectro que as ensombrou na viragem do milénio, com o crescimento das novas tecnologias, que levou à “ideia que o livro e as bibliotecas iam desaparecer ou não teriam livros”: “Os conteúdos digitais, a digitalização de documentos, a produção de documentos e coleções em formato digital não aparece de geração espontânea. É necessário haver técnicos bibliotecários e instituições que recolham, tratem e disponibilizem essa informação. Esse é um mito que a evolução da tecnologia e dos serviços online claramente não veio confirmar”.