Existe uma estatística, para lá do facto de esta ter sido a terceira derrota do Benfica em quatro jogos na Liga dos Campeões, para lá do facto de em 16 remates o Benfica ter acertado apenas três vezes na baliza, para lá do facto de esta ter sido a 13.ª derrota do Benfica nos últimos 17 jogos na Liga dos Campeões, que espelha por completo a presença dos encarnados na principal competição europeia. Em três anos de Champions, o Benfica só ganhou uma vez fora, em outubro de 2018, e desde aí, nas únicas três vezes que marcou, foi para reduzir o marcador.

Esta terça-feira, num jogo em que tinha de ganhar para ter uma palavra séria a dizer na passagem aos oitavos de final da Liga dos Campeões, o Benfica entrou em campo sem André Almeida, sem Pizzi e novamente sem Seferovic. Perdeu, sem ter feito muito para evitar esse resultado, e apesar de ainda ter uma ínfima chance de seguir em frente na liga milionária deve acabar por discutir a vaga da Liga Europa com o Zenit. A equipa de Bruno Lage, que leva agora 12 jogos consecutivos a sofrer golos na Champions, interrompeu uma série de cinco vitórias consecutivas para todas as competições e fica agora de calculadora na mão, longe de depender de si mesma, para entender o que pode acontecer até ao final da fase de grupos.

Antes de os encarnados entrarem em campo em Lyon, o Leipzig já tinha vencido o Zenit na Rússia. Quer isto dizer que os alemães são líderes isolados do Grupo G, com nove pontos, contra sete do Lyon, quatro do Zenit e três do Benfica: ou seja, o grupo orientado por Bruno Lage está obrigado a vencer os dois jogos que restam — receção aos russos, visita aos alemães — e tem de esperar que o Lyon não ganhe na Rússia na próxima jornada e que o Leipzig perca na última partida da fase de grupos. Face à complexidade dos cálculos, torna-se mais simples imaginar que o Benfica tem obrigatoriamente de ganhar ao Zenit daqui a duas semanas para ficar bem colocado no terceiro lugar e na vaga para a Liga Europa.

Na flash interview, Bruno Lage reconheceu que o Benfica teve uma “entrada má” no jogo. “Com o lance do golo logo no início, pior. A substituição do Ferro também acabou por condicionar. Não foi uma primeira parte feliz. Não reajustei a equipa mais cedo porque já tinha feito uma substituição. A minha intenção era a partir dos 20 minutos fazer uma substituição, porque não estávamos bem. Principalmente a forma como estávamos a pressionar e a defender. Na segunda parte tentámos reagir como pretendíamos, com o Seferovic na frente. A tentar pressionar de outra maneira. Fizemos um golo e depois tentámos fazer o segundo. Mas o Lyon fechou o jogo numa transição”, explicou o treinador, que garantiu ainda que Ferro, que saiu de maca depois de uma colisão, “está bem” e fez uma “pequena fratura no nariz”.

“O apuramento fica difícil, mas temos que olhar para o Santa Clara e quando voltarmos não pensarmos em nada. É vencer e ver como fica a classificação no grupo. Foge àquilo que pretendíamos. A nossa ambição e exigência era fazer uma competição diferente. Resta-nos continuar a trabalhar e preparar o jogo com o Santa Clara”, concluiu Lage.