A empresa estatal chinesa CNIC anunciou esta terça-feira uma operação de venda acelerada de um bloco de 48,7 milhões de ações da EDP que representam cerca de 1,33% do capital da elétrica portuguesa. Depois desta operação, a CNIC manterá apenas três milhões de ações da empresa portuguesa que poderá vender após um período de impedimento

Com esta alienação, o segundo investidor chinês da EDP passará a ter uma participação residual no capital da empresa liderada por António Mexia onde chegou a ter quase 5% do capital. Já em outubro, a CNIC tinha anunciado que deixou de ter uma participação qualificada, acima dos 2% no capital da EDP. O Estado chinês, através da China Three Gorges, continua a ser o maior acionista da elétrica portuguesa, mas a posição que lhe foi atribuída de mais de 28% no quadro da oferta pública de aquisição lançada no ano passado, ficará reduzida para os 23,27%.

Este desinvestimento surge depois do fracasso da OPA do maior acionista, a China Three Gorges, que não passou na assembleia geral, este ano, em que foi votada a desblindagem dos estatutos que era uma das condições de sucesso da oferta.  Ainda como pano de fundo deste desinvestimento chinês na EDP estará a pressão americana sobre as empresas e governos europeus em relação à força do capital chinês, em particular quando obedece às ordens do regime de Pequim.

Os Estados Unidos vão endurecer as regras de avaliação de investimentos estrangeiros em setores estratégicos como a energia e ainda há poucos dias, numa conversa com jornalistas portugueses, um membro da administração Trump admitiu que as autoridades americanas estavam muito conscientes do poder chinês no capital da EDP que é uma das maiores empresas de energias renováveis nos Estados Unidos. Acrescentando que essa presença seria monitorizada em futuros novos investimentos que a EDP Renováveis pretenda fazer naquele mercado.