Se a manhã no Sports Trade da Web Summit teve as mais variadas modalidades, do futebol ao boxe, passando pelo atletismo, pelo basquetebol ou pelos e-sports, a tarde foi sobretudo dedicada ao que muitas vezes é denominado de desporto rei. Futebol, sotaque brasileiro e um nome em comum: Ronaldo. Ou Ronaldinho Gaúcho, o ’10’ que passou por Grémio, PSG, Barcelona, AC Milan ou Flamengo e que ganhou todos os títulos que havia para ganhar. Ou Ronaldo Fenómeno, o ‘9’ que jogou em Cruzeiro, PSV, Barcelona, Inter, Real Madrid, AC Milan ou Corinthians e que ganhou todos os títulos que havia para ganhar. E com mais dois pontos de contactos: ambos ganharam a Bola de Ouro, ambos se sagraram campeões mundiais de seleções. No entanto, e se um quer divulgar ao máximo uma nova modalidade pelo mundo, outro admite comprar um clube… em Portugal.

“Procurava um clube para comprar. Já tinha procurado em Inglaterra, na Segunda Divisão, claro, porque a Primeira era muito cara – e até a Segunda… Também procurei em Portugal e continuo à procura em Portugal. Mas um dia estava na Rússia a comentar um jogo e recebi um telefonema de alguém ligado ao Valladolid”, referiu o ex-avançado, que recebeu o Prémio de Inovação no Desporto (que reconhece organizações/pessoas que incorporam com sucesso a tecnologia em busca da excelência) das mãos de Pedro Siza Vieira, ministro da Economia.

“Era o que procurava: uma equipa com grande história, a 1h40 de Madrid de carro, mas também pelo preço. É um clube com 90 anos, passou muito tempo na Primeira Liga, é de uma cidade com 300 mil pessoas, é a única equipa da cidade. Era uma grande oportunidade para mim e decidi aproveitar. Nunca pensei sofrer tanto num fim de semana mas estamos a ir bem. Temos melhorado muito, estou muito feliz com o clube. Gostava que houvesse um bilionário a apoiar-me mas é mesmo tudo do meu dinheiro. E já batemos os recorde de bilhetes de época, fizemos obras no estádio e melhorias nas condições de treino. Treinador? Não, isso nunca…”, acrescentou o brasileiro, uma das figuras mais mediáticas no certame esta terça-feira apenas superado por… Ronaldinho.

Com o espaço do Sports Trade cheio nos lugares sentados e com uma outra multidão igual de pé, o antigo jogador começou por aparecer num vídeo a dizer que pedia desculpa pela ausência (que seria mais uma, porque no ano passado foi baixa de última hora por ter ficado sem passaporte) mas lá apareceu rodeado de seguranças e com centenas de telemóveis ao alto para registar esse momento. Ao lado de Viktor Huszar, húngaro que é co-fundador do Teqball que se tornou moda num ápice (existindo já 36 federações do desporto, podendo chegar em breve às 60) e que nasceu num jardim entre amigos, o embaixador mostrou-se “muito satisfeito com a nova vida”.

“Mestre? Não, continuo a não ser um mestre. Gostei muito quando conheci o Teqball porque toda a minha vida foi com uma bola de futebol e esta nova experiência já faz parte da minha vida. O que é importante aqui são os treinos, a prática faz com que exista esse desenvolvimento. Todos se interessaram logo, toda a gente quer evoluir, quando mostramos a mesa não há quem não queira praticar. Logo, logo todo o mundo vai estar a jogar. Entrar nos Jogos Olímpicos um dia? Espero que sim, está a crescer no mundo, é algo muito gostoso“, referiu ainda no palco do Sports Trade, antes de servir de “cobaia” para demonstrar uma nova aplicação criada sob a égide da mesma empresa que fundou o Teqball para aperfeiçoamento das competências técnicas em privado ou em confronto com amigos e que tem como principal referência dos movimentos free style com bola… o próprio Ronaldinho.

Depois de uma pequena exibição de Teqball numa mesa perto desse espaço na Web Summit, e após ter assinado a primeira bola do dia para chutar para a plateia, Ronaldinho passou ainda por outro pavilhão para promover a nova app da Teqball (sempre rodeado de seguranças) e chegou ao Centre Stage. “Desejo que todos tenham muita sorte nas suas escolhas. Está aqui um monte de gente cheio de ideias novas. Trabalhem muito, dediquem-se ao máximo e de preferência levem o máximo de alegria a todos”, atirou antes de falar novamente do projeto Teqball.

Para acabar o dia, o antigo camisola 10 passou ainda pela sala de conferências de imprensa, onde teve falou ainda do Flamengo de Jorge Jesus e do Campeonato português (por onde passou o irmão Roberto Assis, que jogou no Sporting e no Estrela da Amadora). “Sempre acompanhei o Campeonato português, também pelo meu irmão. Sempre tive amigos a jogar aqui. É sempre um Campeonato forte, as equipas mostraram sempre a sua força, com grandes jogadores a destacarem-se em todo o mundo. É um futebol que a cada ano cresce e acredito que é uma das maiores forças do futebol mundial”, comentou. “Tive a felicidade de jogar no Flamengo [na temporada 2011/12]. É um grande clube que está a atravessar um grande momento, tem um grandíssimo treinador e tem a possibilidade de conquistar a Taça dos Libertadores frente ao River Plate”, acrescentou.