Abel Chivukuvuku, à frente do projeto político PRA-JA Servir Angola, disse esta quarta-feira, em Luanda, não acreditar que as primeiras eleições autárquicas do país aconteçam em 2020, porque o MPLA, partido no poder, receia o voto dos cidadãos.

O dirigente partidário exprimiu a sua posição antes da entrega esta quarta-feira, no Tribunal Constitucional, de 23.492 declarações de aceitação, documentos exigidos para a legalização do partido.

Segundo Abel Chivukuvuku, o ano está perto do fim e ainda não foi aprovado o pacote legislativo autárquico, um imperativo para a implementação do processo eleitoral. No pacote de leis, sublinhou o político, que foi até fevereiro deste ano líder da Convergência Ampla de Salvação de Angola — Coligação Eleitoral (CASA-CE), a segunda maior força política da oposição angolana, “há a parte mais controversa, que tem a ver com o problema do gradualismo geográfico ou funcional”.

“É um debate muito polémico do país, estamos completamente divididos”, referiu, acrescentando que “o país todo defende o gradualismo funcional e o partido no poder o gradualismo geográfico”.

A ser aprovado o modelo defendido pelo Governo angolano, Abel Chivukuvuku lembra que será necessário definir quantos municípios e quais terão autarquias. “Até agora não sabemos. Depois disso será preciso avaliar se é preciso, ou não, reformular a divisão territorial desses municípios, novo reordenamento. Depois de fazer isso é preciso fazer o registo eleitoral nesses municípios, depois disso é preciso fazer com que as candidaturas apareçam, para depois fazer os boletins do processo todo. Não acredito”, reiterou.

Por outro lado, Abel Chivukuvuku disse que a sua convicção é que este atraso não se deve apenas a “razões técnicas de capacidade organizacional”, mas sim porque o partido no poder “tem noção do estado de espírito dos cidadãos angolanos neste momento, que não lhes é favorável e por isso estão a protelar”. “E não é por acaso que foi feito o Plano Integrado de Intervenção nos Municípios, é para tentar fazer uma escola ali, outra clínica ali, para ver se mostram trabalho e a opinião dos cidadãos muda. Não vai mudar porque a vida dos cidadãos piorou”, referiu.

Contudo, o PRA-JA Servir Angola tem na sua agenda a sua preparação, assim que seja legalizado o partido, acreditando que aconteça no primeiro trimestre de 2020, para participar nas primeiras eleições autárquicas.

Nesse sentido, no dia 29 deste mês está agendada uma reunião magna com todos os delegados do país, para enquanto aguardam pela legalização começarem a preparar-se para a realização do primeiro congresso, o que deverá ocorrer logo após a institucionalização do partido. “Em 2021, o nosso papel será de amadurecimento e crescimento, para estarmos preparados em 2022 para participação nas eleições gerais. Esta é a nossa agenda”, avançou.