O autarca da cidade de Maputo, Moçambique, defendeu esta quarta-feira que o projeto para melhorar a segurança da lixeira de Hulene abre novas perspetivas para as comunidades locais, evitando a contaminação dos solos e promovendo uma gestão sustentável do lixo.

“Através desta iniciativa para melhorar a segurança da lixeira, há expectativas de garantir a segurança dos cidadãos e obter conhecimento sobre aterros sanitários”, disse o presidente do Conselho Autárquico da cidade de Maputo, Eneas Comiche.

O autarca falava em Maputo, após o lançamento da primeira pedra para construção de projeto de melhoria de segurança da lixeira de Hulene, onde um desabamento matou 16 pessoas em fevereiro de 2018.

As obras, que vão decorrer de outubro de 2019 a junho de 2020, estão orçadas em 92 milhões de meticais (1,3 milhões de euros), investidos através de uma ajuda não reembolsável do Japão. O projeto vai contar com a aplicação da tecnologia japonesa designada “Método Fukuoka”, que vai consistir na transformação da lixeira de Hulene num aterro semi-aeróbico.

Para o autarca da cidade de Maputo, o projeto vai evitar a contaminação dos solos e promover uma gestão sustentável do lixo, assegurando o bem estar das comunidades locais, que ainda correm o risco de novos deslizamentos de terra.

“Na Lixeira de Hulene, existe ainda o risco de novos deslizamentos”, frisou o presidente do conselho autárquico da cidade de Maputo, apontando, a título de exemplo, a contaminação do solo e a acumulação de gás metano como os principais riscos, além da presença de taludes com inclinação superior a 45 graus.

Por sua vez, o embaixador do Japão em Moçambique, Toshio Ikede, destacou a importância de uma gestão sustentável da lixeira para evitar riscos para as comunidades. “Hoje, no Japão, este método tem estado a ser implementado em 90% dos aterros e os resultados são notáveis para as comunidades nos arredores”, declarou Toshio Ikede.

Na madrugada de 19 de fevereiro de 2018, uma parte da maior lixeira da capital, com altura de um edifício de três andares, desabou devido à chuva forte e abateu-se sobre diversas habitações precárias do bairro em redor. Dezasseis pessoas morreram no local, das quais sete eram crianças.