A história das relações económicas entre Portugal e o Japão já vem desde o século XVI e envolve temas como armas de fogo, escravos, a Companhia de Jesus e exploradores. Agora, também tem a Web Summit. Este ano, a JETRO, uma “equivalente japonesa” da AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal), trouxe 16 startups ao evento que está a decorrer na FIL, depois de, em 2018, ter apostado em trazer seis.

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A delegação japonesa esteve num espaço do pavilhão 4 da FIL nos últimos dias com empreendedores nipónicos a mostrarem as suas ideias para setores como “o espaço, de inteligência artificial, da saúde e do processamento”, explicou ao Observador o diretor-geral da agência, Hiroshi Kawamata. “O principal comentário do último ano de todas as startups foi que devíamos participar mais”, justifica ainda Susumu Kataoka, direto geral dos escritórios da agência para França e Portugal (localizados em Paris).

O volume de investimento [japonês] ainda é pequeno. O mercado está a mudar muito, mas agora é cada vez mais interessante investir neste país. Por isso é que estamos na Web Summit: para ver Portugal e para ver startups portuguesas para que as empresas japonesas possam reconhecer a importância deste país”, diz Kataoka.

Apesar de Lisboa e Tóquio (capital do Japão) estarem separadas por mais de 11 mil quilómetros, Kawamata justifica a aposta em Portugal por ser uma abertura para outros países. “Estivemos com o responsável da AICEP que nos explicou que Portugal pode ser uma porta de entrada para a América do Sul e para África”, diz. “Esse tipo de informação é muito importante para as startups e empresas japonesas”.

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Ao visitar os stands das 16 startups presentes o que não falta é tecnologia inovadora ao estilo japonês. Desportos de realidade aumentada com bolas digitais que só se veem com óculos especiais, sapatos bluetoth conectáveis cheios de luzes ou medidores de movimento de placas tectónicas são algumas das ideias das startups presentes. Entre um inglês de palavras diretas com sotaque japonês, os empreendedores nipónicos vão fazendo os seus pitches. Como contam o empreendedores, a presença em Portugal permitiu ter “várias reuniões” com potenciais investidores portugueses e estrangeiros.

Para já, os responsáveis da Jetro querem apenas apostar na Web Summit e não pensam apostar em mais iniciativas de empreendedorismo em Portugal. O que há, é a “esperança” de voltar em 2020 “e com mais startups” para estreitar as relações económicas entre Portugal e o Japão.