“Luz da Minha Vida”

A segunda realização do actor Casey Affleck (que também interpreta) é uma narrativa pós-apocalíptica anti-espectacular e com uma voltinha na ponta. Em vez de uma guerra nuclear, de uma invasão extraterreste ou de um desastre climático, o mundo em que “Luz da Minha Vida” se passa foi atingido por um vírus que matou todas as mulheres. Um homem (Affleck) deambula pelo interior dos EUA com a filha adolescente (Anna Pniowsky) disfarçada de rapaz, para a proteger. É pouco plausível que um pai nesta situação não ande armado, mas Casey Affleck compensa esta falha de verosimilhança com o realismo patibular e a lhaneza emocional desta história de amor e sacrifício paterno numa situação de enorme precariedade e perigo constante, no meio de um mundo semi-devastado e ameaçador.

“Technoboss”

Luís Rovisco (Miguel Lobo Antunes), um sexagenário divorciado e diretor comercial de uma empresa de segurança eletrónica, vai contando os dias que lhe faltam para a reforma, enquanto circula pelo país a atender clientes e a cantar ao volante. O novo filme de João Nicolau é uma comédia extravagante de cara quase sempre impassível, a evocar o tom de um Aki Kaurismaki ou um Jim Jarmusch, assente numa série de “sketches” envolvendo Luís, as suas interações com colegas, clientes, familiares, a tecnologia e a brusca rececionista de um hotel pela qual desenvolve um fraquinho. O argumento de “Technoboss” não tem humor nem substância narrativa suficiente para o tempo que a fita dura e a escolha de Miguel Lobo Antunes para o papel principal é desconcertante.

“Bostofrio”

Se este documentário não foi frustrante para o realizador, Paulo Carneiro, é-o para o espectador. Carneiro rumou à aldeia de Bostofrio, no distrito de Vila Real, de onde a família é natural, para tentar saber quem era e como era o avô paterno, porque o seu pai era filho de pai incógnito. Mas depara-se com a grande relutância dos habitantes para falar sobre o assunto (os meios rurais muito pequenos são mesmo assim, fechados e desconfiados, mas o realizador parece ignorá-lo totalmente) e “Bostofrio” acaba sem que ele consiga tirar muitos nabos da púcara desta história de família. E connosco a pensar se para um tal resultado valeria mesmo a pena ter feito o filme. Fica a informação que há em Portugal 150 mil filhos de pai incógnito, o que daria um documentário decerto mais interessante que este.

“Midway”

Depois da superprodução de 1976 realizada por Jack Smight e cheia de estrelas de cinema da altura (Charlton Heston, Robert Mitchum, Henry Fonda, James Coburn, Glenn Ford, etc.), é agora a vez de Roland Emmerich recriar com espectacularidade a tremenda batalha aeronaval travada entre os EUA e o Japão entre 4 e 7 de Junho de 1942, seis meses após o ataque nipónico a Pearl Harbor, e que contribuiu de forma muito importante para a mudança de rumo da II Guerra Mundial no teatro do Pacífico. Esta grande produção independente que conta com uma forte participação chinesa no orçamento, é interpretada por Woody Harrelson, Dennis Quaid, Aaron Eckhart, Patrick Wilson, Luke Evans, Ed Skrein e Alexander Ludwig. Foi escolhido como filme da semana pelo Observador e pode ler a crítica aqui.