O deslize de Pedro Sánchez, que na quarta-feira afirmou que o governo controla o Ministério Público, marcou temporariamente a campanha eleitoral espanhola. Um dia depois, o primeiro-ministro do PSOE admite que se enganou: “Não fui preciso na afirmação que fiz ontem”, disse, citado pelo El País. Sánchez atribuiu o erro ao “cansaço” acumulado derivado da campanha.

O primeiro-ministro do PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol) sublinhou em entrevista a uma rádio na manhã de quarta-feira que o governo espanhol estava a fazer todos os esforços para responsabilizar Carles Puigdemont perante a justiça e salientou que foi o Ministério Público que solicitou a ativação do mandado de captura europeu.

Como prova de que o executivo está a fazer tudo para trazer o ex-presidente da Catalunha para Espanha para ser julgado, lançou uma pergunta retórica: “De quem depende a magistratura? O jornalista respondeu “depende do governo” e Sánchez concordou.

A meio da tarde, Pedro Sánchez tentou corrigir o deslize inicial, assegurando que a magistratura do Estado conta “com todo o apoio do governo” na defesa das leis e do interesse geral.

Em entrevista gravada e transmitida em diferido já nesta quinta-feira, Sánchez assegurou que a trajetória seguida tem sido a “de respeitar ao autonomia do Ministério Público e a independência do poder judicial”. “O Ministério Público”, diz, “tem toda a confiança do Governo”.

Sobre a promessa de trazer Carles Puigdemont — exilado na Bélgica desde outubro de 2017 –, uma decisão que depende inteiramente da justiça, Sánchez comentou: “São expressões que se utilizam nos debates eleitorais”.