O Ateneu Comercial de Lisboa nega ter perdido um exemplar raro d’Os Lusíadas avaliado em 100 mil euros. Em meados de outubro, o jornal i publicou uma reportagem onde dizia ter tido acesso a um documento que afirmava que esta e outras obras estavam perdidas. Agora, numa carta enviada ao Observador, o presidente da direção do Ateneu contraria: “A situação descrita em nada corresponde à realidade”, afirma Joaquim Pereira Faustino.

A queixa de um dos sócios do Ateneu afirmava que o exemplo da obra de Luís Vaz de Camões e um candelabro de cristal de 150 mil euros tinham desaparecido do Ateneu, dizia uma reportagem do i que o Observador noticiou. O mesmo artigo afirmava que poderia haver outras peças perdidas porque o Ateneu não manteria inventários sobre os bens a seu cuidado. Tanto isso como uma alegada suspeita de gestão danosa teria motivado uma queixa crime contra a direção.

Mas tudo isso é agora negado pela direção do Ateneu Comercial de Lisboa: “Foi solicitada a intervenção dos serviços camarários do Departamento da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa, entidade pública responsável pela classificação do espólio móvel inventariado”, explica Joaquim Pereira Faustino. Durante essa visita, os técnicos “atestaram presencialmente a existência física dos bens em causa, um exemplar d’Os Lusíadas e um dos lustres dos salões nobres, que se encontram devidamente inventariados como ativos do Ateneu Comercial de Lisboa”.

Quanto à queixa-crime que foi enviada ao Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) em 2016 após uma denúncia de uma das proprietárias do bar que funcionava nas instalações do Ateneu, a direção afirma que esta se encontra “arquivada pelo Ministério Público” por “manifesta falta de credibilidade”.

O Ateneu Comercial de Lisboa fechou portas em 2012, depois de ter entrado em insolvência. Em 2015, o Observador noticiou que “há um projeto imobiliário e o Ateneu fica com a garantia de novas instalações”, disse à época o administrador de insolvência: “Há espaços que não vão ficar inseridos no novo projeto imobiliário, que vai ter mais metros do que atualmente”.