A Caixa Geral de Depósitos registou lucros de 641 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, um crescimento de 74% face ao período de janeiro a setembro de 2018, impulsionado sobretudo pela operações de venda do Banco Caixa Geral (Espanha) e do Mercantile Bank (África do Sul) .

Este resultado inclui 481,4 milhões de euros da atividade corrente e 159 milhões de euros do impacto relativo às vendas das operações de Espanha e África do Sul (por reversão parcial de imparidades).

“O resultado líquido consolidado dos primeiros nove meses atingiu os 640,9 milhões de euros (+272 milhões de euros face ao mesmo período de 2018). O resultado líquido consolidado corrente foi de 481,4 milhões de euros (+112 milhões de euros face ao mesmo período de 2018, +30%)”, indicou o banco público num comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

No mesmo comunicado, a CGD explica que “em outubro, foi concluída a venda do Banco Caixa Geral (Espanha) e obtida aprovação das autoridades Sul-Africanas para a venda do Mercantile, que se concluiu a 7 de novembro [nesta quinta-feira], cumprindo os objectivos do Plano Estratégico. Esta evolução originou a reversão de 159 milhões de euros da imparidade resultante do preço de venda alcançado no processo negocial”.

De acordo com a Caixa, as contas integram ainda o Banco Caixa Geral e o Mercantile, uma vez que a desconsolidação só ocorreu nas datas efetivas da venda.

Na sua intervenção inicial na conferência de imprensa de apresentação de resultados, em Lisboa, o presidente executivo da CGD, Paulo Macedo, disse que os lucros em termos absolutos “são significativos”, mas que “em termos relativos ainda estão aquém da [do definido com] Direção-Geral da Concorrência” para 2020, tendo em conta o plano estratégico assinado entre o Estado português e a Comissão Europeia.

Referiu ainda o gestor que também o rácio ‘cost to income’ (custos face a receitas) “está aquém” do definido para 2020, considerando que a CGD terá “de fazer aqui um esforço adicional”.

Já quanto aos objetivos de rácios de capital e rácios de crédito malparado, o banco público está “a cumprir e confortável”, acrescentou.

Dividendos de 250 milhões de euros para o Estado? “É plausível”

“Se quiser uma resposta, é plausível”, disse Paulo Macedo ao ser questionado sobre se 250 milhões de euros era um montante plausível em termos de dividendos a distribuir ao Estado, acionista único do banco, no final do ano.

Paulo Macedo lembrou que o banco público “aprovou uma política de dividendos”, em que a Caixa “deverá pagar ao acionista desde que cumpridos 10 requisitos”, sendo que “este ano há uma diferença relativamente aos 10 do ano passado”.

“No ano passado tinha que haver uma autorização prévia do BCE [Banco Central Europeu], e agora uma não oposição do BCE”, algo que para o líder do banco público reflete a melhoria no cumprimento do plano de reestruturação acordado com as instituições europeias, nomeadamente a Direção-Geral de Concorrência (DGComp) da Comissão Europeia.

“Quando a Caixa paga dividendos, e bem, para devolver dinheiro aos contribuintes, é preciso que também haja aprovação do Conselho de Administração e que estes valores não ponham em causa os próprios valores que estamos obrigados a cumprir”, nomeadamente em requisitos mínimos de capital, afirmou o presidente executivo da CGD, na conferência de imprensa, em Lisboa.

“Como alguém disse, pode-se fazer as contas e ver no que é que dá”, disse Paulo Macedo, referindo-se à política de dividendos do banco público, acrescentando posteriormente que “é plausível” que o retorno ao acionista Estado supere os 250 milhões de euros em 2019.

Em 31 de maio, a assembleia-geral da CGD aprovou a entrega de 200 milhões de euros em dividendos ao Estado relativos ao exercício de 2018, sendo a primeira vez que o banco pagou dividendos desde 2010.