Montenegro apresenta candidatura para 12 anos e promete "ganhar mesmo eleições"

Montenegro lança candidatura para 12 anos a prometer ganhar as duas próximas legislativas, além das autárquicas. Promete baixar impostos e a velha bancada de Passos voltou para o aplaudir.

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JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

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“Isto é tudo muito moderno”, comentava a antiga deputada Inês Domingos quando entrou na sala do LACS, em Lisboa, reservada para servir de palco à apresentação oficial da candidatura de Luís Montenegro à liderança do PDS. As luzes amarelas e o tapete laranja que preenchia o chão em toda a volta fazia com que o ambiente fosse totalmente preenchido com a cor do PSD. Nas paredes, imagens em grandes dimensões de todos os ex-primeiros-ministros do partido: de Carlos Mota Pinto (1978) a Pedro Passos Coelho (2011). A última imagem da fila, contudo, era mesmo a imagem de Luís Montenegro: o próximo candidato a primeiro-ministro de Portugal, segundo o próprio.

Numa sala estreita, mas comprida, com cerca de 300 pessoas, foi isso mesmo que Luís Montenegro foi dizer para o país (e o partido) ouvir: não só quer ser candidato a primeiro-ministro de Portugal como quer ganhar as duas próximas eleições, para ser líder do PSD na oposição nos próximos quatro anos, e primeiro-ministro nos próximos oito. São 12 anos no total. “Não chega ganhar às sondagens e às expectativas, do que precisamos mesmo é de ganhar eleições eleições”, disse, num recado claro a Rui Rio, que não se ficou por aí. “Não chega proclamar vitórias morais para tentar disfarçar derrotas abissais, nem chega passar o tempo a encontrar desculpas, precisamos mesmo é de voltar a ganhar eleições”, insistiria.

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Ganhar, ganhar, ganhar. Ganhar legislativas e ganhar autárquicas

Um dia depois de Rui Rio, no último Conselho Nacional, em Bragança, ter apontado tudo para as autárquicas de 2021 mas sem prometer ganhar a maioria das câmaras (apenas recuperar muitas das câmaras perdidas e inverter a tendência de queda que se verifica desde 2005), Luís Montenegro elevou a fasquia e prometeu ganhar tudo: ganhar as autárquicas, incluindo ganhar Lisboa, e ganhar as legislativas, as próximas e as que virão a seguir. “Neste novo ciclo que se vai abrir temos de procurar voltar liderar no poder local, vamos lutar para voltar a ganhar a maioria das câmaras em Portugal, a começar na câmara municipal de Lisboa”, disse. E até anunciou que já tem na sua cabeça “de forma muito clara” qual a estratégia e os protagonistas para conseguir essa vitória em Lisboa. Só não disse quais. Quanto a protagonistas, só avançou um nome: o seu próprio nome. Será o próprio Luís Montenegro o coordenador das eleições autárquicas de 2021, anunciou.

As críticas a Rui Rio continuariam, com Luís Montenegro a afirmar que “alguns gostam de um partido pequeno, feito de gente servil do chefe e condenado a perder”, enquanto essa não é a sua visão. A sua visão é de um partido grande e “unido”, onde convivem e convergem diferentes opiniões. Porque, disse, “divergir não é odiar”. “Sou candidato a presidente do PSD e a primeiro-ministro de Portugal para garantir que no nosso país todos, mas todos, têm uma oportunidade para cumprir o seu sonho, essa é a força que sinto e a força que vem de dentro do PSD”, disse ainda. E para provar que o seu discurso não era só feito de palavras, Luís Montenegro quis mostrar que até já tem propostas concretas para reduzir impostos: quer uma redução gradual e faseada do IRS e IRC e a simplificação do IVA, propondo uma fusão da taxa máxima e da taxa intermédia, para que o IVA não seja superior a 20%. Essa será uma das primeiras propostas que apresentará se for líder do partido.

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Num discurso onde procurou vincar as diferenças face a Rui Rio, mas sem dizer o nome do atual líder do partido, Luís Montenegro fez-se valer da experiência que tem como líder parlamentar, acredita ter sido “unificador”, e procurou mostrar que fará diferente do que faz o atual líder do partido. Sobretudo numa questão: consigo, o PSD voltará a recuperar o “D”, porque “o país já tem PS a mais” e, garante, o PSD não só não será “muleta do PS”. Para isso, regressa à promessa de que nunca haverá negociações de acordos com o PS – porque “só servem para simular a moderação e o recentramento do PS” -, nem haverá aprovação de orçamentos do governo PS. Para que os seus ouvintes não se esquecessem, Luís Montenegro lembrou: este governo PS é o mesmo que escolheu a esquerda para governar quando não ganhou eleições.

Por outro lado, sublinhou, consigo o PSD também não será “neo-liberal” (como acusaram o governo de Passos Coelho de o ter sido). As semelhanças com o anterior primeiro-ministro, de resto, não passaram despercebidas. A começar pela duração do discurso: 40 minutos, a lembrar os longos discursos de Passos Coelho, cujo legado foi referido por Montenegro. Também a velha bancada parlamentar escolhida pelo anterior líder mostrou que está de volta, já que muitos foram os antigos deputados que apareceram para dar apoio: desde Hugo Soares, passando por Amadeu Albergaria, Nuno Encarnação, António Rodrigues, Maria Luís Albuquerque, Rui Rocha, Paula Teixeira da Cruz, Teresa Morais, Nuno Serra, Simão Ribeiro ou Luís Vales, culminando em Rui Machete, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros que se mostrou hoje ao lado do desafiador de Rui Rio. Dos atuais deputados, só Pedro Alves, diretor de campanha de Montenegro, e Pedro Pinto, ex-líder da distrital de Lisboa, compareceram.

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Foi a eles que Montenegro prometeu ser na liderança do PSD o que diz ter sido na liderança da bancada social-democrata: “um líder agregador”. “Comigo na liderança nunca mais vai ser preciso um líder histórico como Cavaco Silva vir exprimir a sua preocupação com a falta de unidade no PSD”, disse, referindo-se à última declaração de Cavaco que tirou o tapete a Rui Rio. Montenegro promete acolher todos: “Nestes últimos anos tivemos divisões que não podemos nem devemos aceitar: os bons e os maus, os puros e impuros, os desejados e os discriminados, os premiados e os afastados, os que faziam culto ao líder tinham lugar, os que cometiam o grave delito de pensar pela sua cabeça era marginalizados”, disse, prometendo o oposto. “Quero um partido abrangente, onde cabem todos os social-democratas com as suas próprias e diferentes sensibilidades”.

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